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Workshop sobre governança climática contribui com avanço na implementação da agenda de ação da COP30

Notas informativas

Workshop sobre governança climática contribui com avanço na implementação da agenda de ação da COP30

ACNUR sediou encontro realizado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima em conjunto com o Ministério das Cidades e ONU-Habitat. A atividade integrou o conjunto de ações voltadas à consolidação do legado político e operacional da presidência brasileira da COP30.
18 Março 2026
Painel de cinco pessoas sentadas à mesa durante um workshop sobre Governança Multinível. Ao fundo, uma tela apresenta o título ‘Workshop sobre Governança Multinível’. A pessoa ao centro segura um microfone enquanto fala. A mesa contém copos de água, papéis e dispositivos eletrônicos.

Iniciativa teve como objetivo alinhar ações entre diferentes níveis de governo e parceiros institucionais.

O escritório da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) em Brasília sediou o workshop “Governança Multinível – Agenda de Ação da COP30 e os próximos passos do Plano de Aceleração de Soluções de Governança Multinível, Multissetorial e Participativa (PAS), realizado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) no dia 11 de março. O encontro reuniu representantes do Governo do Brasil, organismos internacionais, redes de governos subnacionais e instituições parceiras para discutir estratégias de fortalecimento da governança climática e definir caminhos para a implementação do PAS no ciclo pós COP30.

A iniciativa teve como objetivo alinhar ações entre diferentes níveis de governo e parceiros institucionais, consolidando o PAS como instrumento de articulação entre políticas climáticas nacionais, estaduais e municipais. A proposta é transformar compromissos firmados na agenda internacional do clima em políticas públicas concretas, com impacto direto nos territórios.

A abertura contou com a participação da diretora-executiva da COP30, Ana Toni; do secretário nacional de Mudança do Clima do MMA, Aloísio Lopes; do chefe da Assessoria Internacional do Ministério das Cidades, Antônio da Costa e Silva; do representante do ACNUR no Brasil, Davide Torzilli; e do representante regional para a América Latina e o Caribe da ONU-Habitat, Elkin Velásquez.

Mulher sentada em uma cadeira de escritório segurando um microfone durante uma fala em um evento. A mesa ao lado possui documentos, uma caneta e um copo de água. Ao fundo, parte de uma bandeira branca e um quadro de apoio são visíveis.

Ana Toni destacou que a COP30 consolidou uma nova etapa da governança climática internacional, marcada pela convergência entre negociações multilaterais e iniciativas de implementação lideradas por diferentes atores.

“A COP deve ser entendida como um processo contínuo, que começa antes da conferência e segue após seu encerramento. Hoje, avançamos em um multilateralismo em dois níveis: aquele das negociações formais entre Estados e aquele das coalizões e planos de ação capazes de gerar resultados concretos”, afirmou Toni.

A diretora-executiva também ressaltou a importância de aprofundar a análise dos 120 Planos de Aceleração de Soluções lançados no contexto da Agenda de Ação da COP30, com atenção especial à forma como esses instrumentos incorporam o papel de cidades, estados e governos locais na implementação das políticas climáticas.

Ao abordar a fase pós-COP30, Aloísio Lopes enfatizou que o principal desafio do país passa a ser transformar compromissos internacionais em ações concretas nos territórios. Segundo ele, o ministério tem papel central na articulação da agenda climática com estados e municípios.

“O país entra agora em um novo ciclo focado na implementação e no monitoramento. O principal desafio é fazer com que compromissos climáticos e estratégias de adaptação se convertam em políticas públicas concretas nos governos locais”, destacou.

O secretário também apontou avanços da iniciativa AdaptaCidades, que já conta com pactuação formal com todos os estados e o Distrito Federal, além da adesão de centenas de municípios. A iniciativa busca fortalecer capacidades institucionais e ampliar o acesso de governos locais a financiamento climático.

Na sessão dedicada ao papel da governança multinível como pilar da ação climática, a diretora de Adaptação e Resiliência nas Cidades do MMA, Inamara Mélo, destacou o caráter estruturante do PAS para integrar políticas climáticas em diferentes escalas de governo.

“A agenda climática precisa ser tratada como prioridade de governo em todos os níveis. O PAS nasce justamente para fortalecer essa articulação entre políticas nacionais, estados, municípios e agendas internacionais”, afirmou.

Segundo a diretora, o plano está vinculado ao Objetivo 11 da Agenda de Ação da COP e reúne nove entregas e 21 ações estratégicas, construídas de forma colaborativa por 32 organizações. A iniciativa é orientada por quatro eixos estruturantes: fortalecimento da governança multinível, ampliação da capacidade institucional, tomada de decisão informada por risco e ampliação do acesso ao financiamento climático.

Ao longo da programação, os participantes debateram os resultados da COP30 no campo da governança climática, o papel da Coalizão CHAMP — Parcerias Multiníveis de Alta Ambição para a Ação Climática — e os desafios de articulação entre Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), políticas nacionais e agendas subnacionais. Também foram discutidos temas transversais, como transição justa, justiça climática, mobilidade humana e proteção de populações vulneráveis.

Para Davide Torzilli, do ACNUR, o PAS tem potencial para ampliar a cooperação entre diferentes atores e fortalecer respostas integradas aos impactos das mudanças do clima.

O PAS é um catalisador para a cooperação de diversos atores na promoção e implementação de estratégias multinível e multissetoriais que melhor respondam aos efeitos das mudanças do clima. O ACNUR seguirá apoiando a iniciativa para contribuir com a discussão sobre temas transversais, notadamente naquilo que toca nos impactos dos efeitos das mudanças do clima nas dinâmicas de deslocamento humano e nas pessoas deslocadas forçadas

Davide Torzilli, representante do ACNUR no Brasil

A programação incluiu exposições técnicas, painéis temáticos e grupos de trabalho voltados à construção colaborativa de prioridades para a fase de implementação do PAS em 2026.

Entre os principais encaminhamentos do encontro, destacou-se a necessidade de consolidar mecanismos permanentes de diálogo entre União, estados e municípios, além de fortalecer a projeção internacional do plano. A expectativa é que o PAS se consolide como uma plataforma estratégica para ampliar a cooperação entre governos e parceiros multilaterais na implementação de políticas climáticas.