Com apoio do ACNUR, refugiadas e migrantes finalizam curso profissionalizante em São Paulo
Com apoio do ACNUR, refugiadas e migrantes finalizam curso profissionalizante em São Paulo
Objetivo do curso foi desenvolver habilidades para geração de renda, empreendedorismo e ingresso no mercado formal de trabalho
Um grupo de mulheres refugiadas e migrantes que vivem em São Paulo (SP), a maioria venezuelanas e haitianas, concluiu em dezembro o Curso Técnico de Envelopamento Artístico e Aplicação de Película Automobilística. Agora certificadas, as mulheres buscam colocar em prática os aprendizados em novas oportunidades de emprego e de empreendedorismo.
As aulas foram ministradas no SENAI por meio de uma parceria com a Missão Paz e com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), com o objetivo de desenvolver habilidades para geração de renda, empreendedorismo e ingresso no mercado formal de trabalho. O curso teve um total de 52 horas, incluindo aulas teóricas e práticas, com ensino e prática em envelopamento decorativo, recorte, manuseio correto de materiais, técnicas de acabamento e aplicação de películas automotivas e arquitetônicas, entre outras técnicas. Das 14 mulheres inscritas, 13 receberam certificado e já podem trabalhar formalmente na área.
A venezuelana Jenny viu no curso uma oportunidade para conquistar uma vaga de emprego formal
Uma das alunas é a venezuelana Jenny Coromoto. No Brasil há sete anos, ela conta que sempre trabalhou com faxina e agora, com os conhecimentos adquiridos, espera conseguir um emprego formal que lhe dê mais estabilidade. “Eu vim para o Brasil em busca de um futuro melhor. Estou com 53 anos, logo serei uma pessoa idosa e não terei mais força nem saúde para seguir trabalhando com faxina. Então, vi nesse curso uma maneira de me capacitar para conseguir trabalhar em outra área, ter um trabalho que me permita ter um descanso semanal”, afirma. Ela conta que, logo que iniciou o curso, postou uma foto e logo perguntaram se ela estaria disponível para trabalhar. “O curso é rápido, aprendemos muito, mas também temos que praticar muito ainda para chegar à perfeição. Mas é um começo e eu tenho certeza que, se esse curso não me abrir uma porta, certamente uma janela já está se abrindo.”
As alunas do curso passaram por dois módulos – aplicação de película automotiva e adesivamente artístico. Para a haitiana Guechny Dupuy, o mais atrativo foi o adesivamente artístico. “Gostei muito do curso. Vi nele uma oportunidade de mudar de vida, de ter uma renda extra e até de conseguir mudar de emprego”, conta. Atualmente, ela trabalha como camareira e pretende começar a empreender no adesivamente artístico até conseguir um emprego formal na área.
A haitiana Guechny pretende colocar em prática os aprendizados para complementar a renda.
Todo o curso foi pensado para facilitar o acesso das mulheres. Foi oferecido após o horário comercial, com apoio para transporte e alimentação. As alunas foram identificadas pela Missão Paz a partir de critérios de vulnerabilidade, motivação e interesse na capacitação profissional.
“Buscamos na parceria com a Missão Paz e o SENAI a possibilidade de um curso de curta duração, que fosse bastante prático e que pudesse servir de base para geração de renda para essa turma de refugiadas e migrantes. Estimulamos que elas fizessem um plano de negócio, visando o empreendedorismo, mas há também a possibilidade de serem contratadas por empresas do ramo. São mulheres que buscam autonomia e um recomeço, e ter esse conhecimento, com uma certificação reconhecida nacionalmente, pode ser um primeiro passo importante nesse sentido”, declara a associada de Soluções Duradouras do ACNUR, Camila Sombra.
O apoio do ACNUR para a realização do curso se deu a partir de recursos recebidos do Governo do Japão.