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Com apoio do ACNUR, pessoas refugiadas marcam presença nos eventos da Parada do Orgulho LGBT+ de SP

Notas informativas

Com apoio do ACNUR, pessoas refugiadas marcam presença nos eventos da Parada do Orgulho LGBT+ de SP

Além do ato na Avenida Paulista, no domingo (7), pessoas refugiadas empreendedoras levaram produtos para a Feira da Parada, realizada na quinta-feira (4)
8 Junho 2026
Parada do Orgulho LGBT+ de SP

Pessoas refugiadas e equipe do ACNUR durante a 30a Parada do Orgulho LGBT+ de SP

O temor de perseguição com base na orientação sexual e na identidade de gênero está previsto na Convenção dos Refugiados como um dos motivos que podem qualificar uma pessoa a solicitar asilo. O Brasil está entre os países que acolhem essa população. Como forma de reconhecer a resistência dessas pessoas e apoiá-las em seus recomeços, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) esteve presente nos eventos Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, realizados nos dias 4 e 7 de junho na capital paulista.

Além da presença 30ª Parada do Orgulho LGBT+ de SP, no domingo (7), o ACNUR apoiou a participação de pessoas refugiadas empreendedoras na 25ª Feira Cultural da Diversidade e Empreendedorismo LGBT+, na quinta-feira (4).

“Infelizmente, ainda temos em alguns países pessoas discriminadas e perseguidas por sua identidade de gênero ou orientação sexual. São pessoas que têm suas vidas ameaçadas apenas por serem quem são. O Brasil tem acolhido muitas delas. Estar presente na Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo e na Feira da Parada é uma forma de reconhecer essa resistência e dizer que essas pessoas não estão sozinhas. Estamos ao seu lado para garantir que seus direitos sejam reconhecidos e respeitados”, afirmou o representante do ACNUR no Brasil, Davide Torzilli.

Acolhimento e recomeços

No Brasil há quatro anos, Matheus Jade veio da Tunísia em busca de proteção. No Brasil, solicitou asilo e teve a chance de um recomeço. “Na Tunísia, uma pessoa LBGT pode ficar presa por anos, é proibido. Aqui solicitei refúgio, fui acolhido como homem trans. Consegui fazer muita coisa nesses quatro anos do que não tinha conseguido a vida inteira na Tunísia, como trabalho. São coisas básicas para as pessoas, mas que, para nós, são uma grande conquista. E estar na parada é uma forma de visibilidade. Mostra que estamos aqui, que existimos”, declara.

Ringo Ayala Caballero também esteve na marcha no domingo. Vindo da Bolívia há três anos, reforça o acolhimento e o reconhecimento recebido. “Estou muito agradecido porque o ACNUR foi a primeira organização a abrir as portas para mim, me ajudou com documentação e orientação. Hoje eu faço parte de redes e coletivos LGBT que ajudam e apoiam pessoas migrantes e refugiadas. Sem pedir nada em troca, me apoiaram em tudo. O Brasil é um país muito acolhedor, um país que nos dá oportunidade de trabalho, de documentação, e temos essa liberdade para participar desses espaços e sermos reconhecidos quando não somos em nossos países”, afirma.

Apoio ao empreendedorismo

O ACNUR também apoiou a presença de pessoas refugiadas na Feira Cultural da Diversidade e Empreendedorismo LGBT+, realizada na quinta-feira (4), no Vale do Anhangabaú. No total, cinco pessoas puderam comercializar seus produtos no espaço disponibilizado pelo ACNUR – incluindo pessoas do Afeganistão, Haiti, Venezuela e Senegal.

O venezuelano José de Gannes levou acessórios feitos a mão para o espaço. “Foi uma experiência muito especial e significativa para mim. Ter a oportunidade de apresentar meu trabalho, compartilhar minha história e conhecer outras pessoas empreendedoras me trouxe inspiração, esperança e motivação para continuar crescendo”, afirma. “Eventos como esse nos dão visibilidade, fortalecem nossos projetos e também nos oferecem a oportunidade de gerar renda e conquistar mais independência através do nosso trabalho. Obrigado por todo o apoio, por acreditarem no talento das pessoas migrantes e refugiadas e por criarem espaços de inclusão, diversidade e oportunidades. Esse tipo de iniciativa tem um grande significado para quem luta todos os dias para construir um futuro melhor longe do seu país”, completa.

Proteção

O ACNUR acredita que ninguém deve ser obrigado a deixar sua casa em razão de sua orientação sexual ou identidade de gênero. No entanto, em alguns países, muitas pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, intersexuais e queer (LGBTIQ+) diariamente sofrem discriminação, perseguição e violência, e muitas vezes não têm escolha senão buscar refúgio em outros lugares. Por isso, trabalhamos para proteger pessoas refugiadas e solicitantes de refúgio LGBTIQ+ em todos os lugares. Saiba mais sobre nosso trabalho.

A participação de pessoas refugiadas nos eventos da Parada do Orgulho LGBT+ SP também foi apoiada pelo Governo do Canadá, como parte de uma contribuição com foco em proteção, bem-estar e integração dessa população no Brasil.