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Ramadã no Brasil: celebração mobiliza solidariedade e apoio à comunidade refugiada

Notas informativas

Ramadã no Brasil: celebração mobiliza solidariedade e apoio à comunidade refugiada

Em São Paulo, Iftar Solidário lembra desafios enfrentados por 60 milhões de refugiados muçulmanos em todo o mundo e a importância do apoio para promover proteção e recomeços dignos
12 Março 2026
Durante o mês do Ramadã, a quebra do jejum, ao anoitecer, é precedida de orações

Durante o mês do Ramadã, a quebra do jejum, ao anoitecer, é precedida de orações

Nesta quarta-feira, 11, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e a Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (FAMBRAS) realizaram em São Paulo o Iftar Solidário – celebração da quebra do jejum durante o Ramadã. O evento reuniu cerca de 350 pessoas na mesquita Misericórdia, entre refugiados, lideranças comunitárias e representantes do setor privado e de organizações da sociedade civil.

O evento teve como objetivo celebrar o mês sagrado do calendário islâmico junto a pessoas refugiadas muçulmanas no país. Todos os anos, o Ramadã mobiliza milhões de pessoas em torno de valores como solidariedade, generosidade e comunidade. Essa data, que simboliza um momento de renovação da fé, é particularmente desafiadora para cerca de 60 milhões de refugiados muçulmanos no mundo que estão vivendo longe de seus lares e países por motivos de guerras, conflitos e perseguições.

Nesse cenário, por meio de doações feitas especialmente no período do Ramadã, o Fundo Zakat para Refugiados do ACNUR já beneficiou mais de 9,2 milhões de refugiados muçulmanos com ajuda humanitária vital em 33 países.

Representante do ACNUR no Brasil, Davide Torzilli, lembra da importância da solidariedade para proteção de pessoas refugiadas

Representante do ACNUR no Brasil, Davide Torzilli, lembra da importância da solidariedade para proteção de pessoas refugiadas

“Hoje, mais de 117 milhões de pessoas estão deslocadas no mundo por causa de guerras, conflitos ou perseguições. Metade delas vem de países da Organização de Cooperação Islâmica”, lembrou o representante do ACNUR no Brasil, Davide Torzilli. “Durante o Ramadã, essa realidade se torna ainda mais sensível. Milhões de muçulmanos passam este mês sagrado longe de casa, em países onde estão reconstruindo suas vidas. E é justamente aí que a solidariedade da comunidade islâmica faz diferença concreta”, completou.

Valores como a empatia e a solidariedade, além da união de esforços em favor de quem está em situação de vulnerabilidade, também foram lembrados pelo presidente da FAMBRAS, Ali Hussein El Zoghbi. “Participar deste Iftar ao lado da ACNUR é motivo de grande satisfação para a FAMBRAS. O espírito do Ramadan nos lembra da importância da compaixão, da hospitalidade e do cuidado com aqueles que mais precisam. São valores que dialogam profundamente tanto com o trabalho realizado pela agência em favor dos refugiados como pela Federação. Também estão em consonância com o que preconiza a tradição islâmica”, ressaltou.

Segurança e liberdade na comunidade de acolhida

Para as pessoas refugiadas e migrantes que estiveram no Iftar Solidário, o evento também reforçou a possibilidade de se manter os costumes e a religião de forma segura, mesmo longe do país de origem.

“Sinto falta do som do Adhan ecoando pela cidade, das grandes mesas de Iftar com toda a família e da atmosfera única das Noites do Destino, as Laylat al-Qadr, nas mesquitas do meu país. Mas a comunidade é como uma segunda família. No Brasil, ter esse apoio nos ajuda a manter nossa identidade e fé. Estar juntos no Iftar e nas orações coletivas, como a súplica de Iftitah, faz com que não nos sintamos sós”, afirma a afegã Sabera Rezaie, há quatro anos refugiada no Brasil.

O sentimento é compartilhado pelo afegão Shabir Ahmad Niazi. "Manter a minha religião aqui no Brasil é manter a minha identidade. Quando a gente migra, perde muitas coisas, mas a fé continua sendo uma base firme. O Ramadã é mais do que jejum, é disciplina, solidariedade. Aqui é diferente porque estamos longe das nossas famílias e da nossa cultura, mas isso também nos faz dar mais valor para a nossa comunidade. Viver o Ramadã no Brasil é manter nossas raízes, lembrar da nossa realidade. Ao mesmo tempo, nós construímos uma ponte com a comunidade afegã no Brasil, que ainda é muito pequena, mas seguimos aqui e celebramos."

Iftar Solidário, iniciativa do ACNUR em parceria com a FAMBRAS, reuniu cerca de 350 pessoas na Mesquita Misericórdia, em São Paulo

Iftar Solidário, iniciativa do ACNUR em parceria com a FAMBRAS, reuniu cerca de 350 pessoas na Mesquita Misericórdia, em São Paulo

Incentivo à integração e ao acolhimento

Desde o último trimestre de 2025, o ACNUR e organizações parceiras têm realizado uma série de ações voltadas para pessoas refugiadas vindas do Afeganistão. Assim como o Iftar Solidário, essas atividades fazem parte das ações previstas na parceria firmada entre ACNUR e a organização Islamic Relief USA (IRUSA). Anunciada em setembro, a iniciativa prevê beneficiar diretamente cerca de 2 mil pessoas afegãs em todo o Brasil, por meio de ações voltadas à integração local e ao fortalecimento socioeconômico. Com ações previstas até junho de 2026, a parceria visa alcançar indiretamente outras 10 mil pessoas, beneficiando também comunidades brasileiras de acolhida.

A parceria inclui ensino da língua portuguesa, assistência jurídica, aconselhamento sobre o mercado de trabalho, promoção de oportunidades de emprego formal e empreendedorismo, revalidação de diplomas, prevenção da violência baseada em gênero e apoio à saúde mental e psicossocial. Nas comunidades brasileiras, a parceria prevê o apoio a atividades culturais e de convivência pacífica. Inclui, ainda, formações e troca de experiências com organizações da sociedade civil que trabalham diretamente com a população afegã no Brasil, além da produção de pesquisas que servirão de base para advocacy e políticas públicas baseadas em evidências.