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ACNUR e Sesc São Paulo celebram 30 anos de parceria na promoção dos direitos das pessoas refugiadas

Notas informativas

ACNUR e Sesc São Paulo celebram 30 anos de parceria na promoção dos direitos das pessoas refugiadas

Evento ‘Vozes do Refúgio: territórios, memórias e futuros possíveis’ marcou a data e reuniu representantes de diferentes setores e lideranças refugiadas em debate sobre construção de uma sociedade mais justa e acolhedora
11 Dezembro 2025
Evento de 30 anos de parceria com o Sesc SP

O representante do ACNUR no Brasil, Davide Torzilli, reconheceu a importância da parceria com o Sesc São Paulo em um cenário cada vez mais desafiador para organizações humanitárias

A Agência da ONU para Refugiados e o Sesc São Paulo celebraram nesta quarta-feira, 10 de dezembro, 30 anos de parceria e ação conjunta em defesa dos direitos das pessoas refugiadas. Para marcar a data, foi realizado na capital paulista o evento Vozes do Refúgio: territórios, memórias e futuros possíveis, um convite à reflexão sobre os avanços alcançados e os desafios cada vez maiores que se apresentam ao redor do tema do deslocamento forçado em todo o mundo.

O evento marcou não somente o aniversário de parceria, mas também o Dia Internacional dos Direitos Humanos, lembrado em 10/12, e o aniversário de 75 anos de fundação do ACNUR, em 14/12. Em todos esses marcos, o trabalho articulado e em rede, envolvendo diferentes setores ao longo dos anos, ressalta o compromisso com o acolhimento e a integração das pessoas refugiadas e migrantes.

O representante do ACNUR no Brasil, Davide Torzille, destacou a parceria com o Sesc São Paulo e com a Cáritas Arquidiocesana de São Paulo ao longo das três décadas de ação no estado. “Desde 1995, as três organizações unem esforços para a promoção dos direitos das pessoas que foram forçadas a se deslocar e que buscam no estado de São Paulo oportunidades de um recomeço. Chegamos a esta data orgulhosos dos impactos causados por esse trabalho conjunto, mas também preocupados com o cenário cada vez mais desafiador para a continuidade de nossas ações”, alertou. “Buscamos celebrar a resiliência, a diversidade, as contribuições que pessoas refugiadas trazem ao Brasil. Celebramos uma sociedade mais plural e inclusiva. E celebramos a ação em rede, por meio de parcerias tão importantes e duradouras, que mostram que existem soluções quando atuamos em conjunto.”

Para a superintendente técnico-social do Sesc São Paulo, Rosana Paulo da Cunha, a parceria com o ACNUR reforça o compromisso institucional com a inclusão das pessoas refugiadas e potencializa o resultado das ações. “Essa parceria consegue ampliar muito as ações que realizamos com as pessoas refugiadas, desde cursos de língua portuguesa oferecidos em diversas regiões da cidade do estado, até o acesso a serviços, a oportunidades de emprego e a oportunidades de vivenciar o território da melhor maneira possível”, afirma. “Essas pessoas conseguem trazer suas famílias, conseguem alcançar maior qualidade de vida e, por meio das trocas entre as diferentes culturas, também colaboram para a transformação social como um todo. Para nós, do Sesc São Paulo, é uma grande alegria estar ao lado do ACNUR nessas ações durante todo esse tempo.”

Histórico de atuação

A parceria entre Sesc São Paulo, ACNUR e Cáritas SP teve início a partir de um convite do então Arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, que alertou para o crescimento do número de solicitantes de refúgio no Brasil e a necessidade de ampliar o suporte social e cultural a esse público. Desde então, o trabalho conjunto das organizações busca a criação de espaços que vão além da acolhida emergencial, promovendo convivência, aprendizagem, expressão artística e acesso a direitos.

Entre as ações desenvolvidas ao longo desses 30 anos, destacam-se os cursos de língua portuguesa, atividades culturais, esportivas e de saúde, além de projetos como a Internet Livre, que proporcionaram acesso à informação e à comunicação com os países de origem. A alimentação subsidiada nas unidades do Sesc também foi um marco importante, oferecendo não apenas nutrição, mas a possibilidade de escolha e autonomia para os recém-chegados.

A atuação do Sesc São Paulo se estendeu progressivamente a todas as suas unidades, que passaram a incluir pessoas refugiadas em suas programações e serviços, reconhecendo e valorizando suas histórias, saberes e expressões culturais.

Relatos em primeira pessoa

As vozes e o reconhecimento das contribuições trazidas pelas pessoas refugiadas à sociedade brasileira como um todo foram o grande destaque do evento comemorativo. Já na abertura, o evento contou com apresentação musical do quinteto vocal Os Escolhidos. Criado em 2013 por jovens da República Democrática do Congo e de Angola, o grupo mistura músicas tradicionais e autorais cantadas em kikongo, lingala, swahili, tchiluba e português. A apresentação também teve participação das cantoras refugiadas Oula Al-Saghir, Mah Mooni e Fran Castelar.

O evento também contou com um painel de debates que convidou o público a refletir sobre a importância da solidariedade, da diversidade e da convivência como pilares para a construção de uma sociedade mais justa e acolhedora. O debate teve participação da educadora e liderança indígena Warao Daisy Perez, que compartilhou relatos sobre os desafios da inclusão e da permanência de crianças e adolescentes Warao nas escolas brasileiras. A segunda convidada foi a afegã Kubra Afshar, que compartilhou sua história pessoal de deslocamento forçado e o trabalho que realiza junto a outras mulheres afegãs refugiadas no Brasil dentro do tema do enfrentamento das violências. O haitiano Robert Montinard, mediador comunitário e fundador da ONG Mawon, fechou o debate, compartilhando sobre o trabalho realizado para garantir que as vozes de pessoas forçadas a se deslocar sejam ouvidas nos processos de construção de políticas públicas, em especial as que envolvem o tema das mudanças climáticas.

O encerramento do evento se deu com uma apresentação emocionante da Orquestra Mundana Refúgi. Formada por 22 musicistas brasileiros, migrantes e refugiados, de diversas partes do mundo, a orquestra apresentou cantos tradicionais representativos das diferentes culturas que a compõe.