Em São Paulo, refugiados afegãos fazem curso de empreendedorismo
Em São Paulo, refugiados afegãos fazem curso de empreendedorismo
Curso de empreendedorismo para pessoas refugiadas afegãs tem mais de 30 inscritos em São Paulo (SP)
Mais de 30 pessoas refugiadas afegãs estão participando de capacitações sobre empreendedorismo em São Paulo (SP). As aulas, que iniciaram em novembro e seguem durante o mês de dezembro, são oferecidas por meio de uma parceria entre a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), a Caritas Arquidiocesana de São Paulo e o Sebrae-SP.
O objetivo do curso é desenvolver habilidades essenciais para abrir e manter pequenos negócios, como planejamento e finanças. A capacitação é composta por dois cursos: “Alcance o melhor planejamento estratégico”, realizado nos dias 10, 12, 14 e 17 de novembro, e “Faça a gestão financeira do seu pequeno negócio”, com aulas nos dias 26 e 28 de novembro, além de 1, 3 e 5 de dezembro.
Frözan Sediqui é aluna do curso e mora em São Paulo há dois anos. Atualmente, trabalha com esculturas em madeira, pintura e elaboração de joias. Ela destaca como o curso aborda habilidades importantes para quem quer montar o próprio negócio: “Esse projeto é importante para ajudar os afegãos que ainda não sabem qual caminho seguir. As aulas estão abordando temas que fazem parte dos meus objetivos e me ajudam a ter uma visão de futuro.”
Mohammad Hesaby trabalha com eventos e feiras, vendendo comidas típicas do Afeganistão. Para ele, a capacitação ajuda nas estratégias de venda e no planejamento financeiro: “O curso de finanças é muito importante, pois eu não conhecia o sistema financeiro do Brasil e agora estou tendo a oportunidade de conhecer melhor”, destaca.
Entidades comemoram o início dos cursos
Para o gerente regional do Sebrae-SP, Alessandro Leite de Lima, o projeto contribui para a inclusão produtiva, o fortalecimento da autonomia e o acolhimento dos refugiados que chegam ao Brasil. “Essas capacitações focam no empreendedorismo, oferecendo aos afegãos um trabalho de inclusão produtiva e mostrando que o empreendedorismo é um grande alavancador socioeconômico. Os cursos promovem autonomia financeira e a oportunidade de pessoas que estão fixadas no Brasil empreenderem. Esse trabalho está sendo oferecido pela Rede Soma, promovendo acolhimento e acompanhamento para essas pessoas, a fim de ajudar aquelas que querem montar o seu próprio negócio”, destaca o gerente regional.
“A Caritas se sente muito honrada de estar sendo recebida pelo Sebrae para essa capacitação, que é um curso desafiador, por trazer pessoas da comunidade afegã com uma cultura totalmente diferente da nossa, mas que possuem o desejo de fazer do Brasil a sua casa. A Caritas tem o objetivo de atender pessoas em alta vulnerabilidade, e as pessoas refugiadas, de forma especial, estão nesse grupo. Então, dar a eles essa assistência e, principalmente, oferecer integração, capacitação e autonomia é, para nós, fundamental e uma missão importante. E, nesse ponto, o Sebrae, com toda a sua expertise, qualidade e capacidade, contribui para que eles tenham a oportunidade de empreender no Brasil, terem seus rendimentos e voltarem a ter dignidade”, diz o diácono Marcio José Ribeiro, diretor da CASP.
“Aqui no Brasil, nós temos trabalhado com várias nacionalidades, inclusive com a afegã, com pessoas que saíram do conflito no Afeganistão e buscaram o Brasil para recomeçar suas vidas. É nesse contexto que o curso do Sebrae tem ajudado muito a população afegã que busca o empreendedorismo para recomeçar a sua vida aqui no Brasil. Então, a gente agradece muito à Caritas de São Paulo, que é a nossa parceira nesse curso, e ao Sebrae, por estar dando esse apoio para que as pessoas possam, de fato, recomeçar”, finaliza o associado de Proteção na Agência da ONU para Refugiados, William Laureano.
Apoio para inclusão socioeconômica
Parte das pessoas que estão participando do curso chegaram ao Brasil em 2025, por meio do Programa Brasileiro de Patrocínio Comunitário. O programa foi lançado em 2024 pelo MJSP e recebeu as primeiras famílias em abril de 2025. Desde então, já são mais de 280 pessoas acolhidas em 24 municípios que chegaram com o apoio de organizações da sociedade civil.
“Com o aumento dos conflitos no Afeganistão nos últimos anos, muitas pessoas afegãs têm solicitado asilo ao Governo Brasileiro, que, desde 2025, as recebe por meio do Programa Brasileiro de Patrocínio Comunitário, liderado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, com apoio do ACNUR. São pessoas que chegam solicitando asilo ao Brasil, fugindo de perseguições e conflitos, e que buscam recomeçar suas vidas com dignidade. Muitas possuíam empreendimentos no Afeganistão, outras veem essa oportunidade como uma forma de compartilhar sua cultura com a comunidade brasileira. Saber mais sobre como formalizar um pequeno negócio, sobre as leis e as oportunidades no Brasil é essencial para esse recomeço”, afirma a chefe do escritório do ACNUR em São Paulo, Maria Beatriz Nogueira.
O curso de empreendedorismo faz parte das atividades financiadas pela parceria entre ACNUR e a organização Islamic Relief USA (IRUSA). Anunciada em setembro, iniciativa prevê beneficiar diretamente cerca de 2 mil pessoas afegãs em todo o Brasil, por meio de ações voltadas à integração local e ao fortalecimento de meios de vida. Com ações previstas até junho de 2026, a parceria visa alcançar indiretamente outras 10 mil pessoas, beneficiando também comunidades brasileiras de acolhida.
Além do curso voltado para o empreendedorismo, a parceria inclui ensino da língua portuguesa, assistência jurídica, aconselhamento sobre o mercado de trabalho, promoção de oportunidades de emprego formal, revalidação de diplomas, prevenção da violência baseada em gênero e apoio à saúde mental e psicossocial. Nas comunidades de acolhida, a parceria prevê o apoio a atividades culturais e de convivência pacífica. Inclui, ainda, formações e troca de experiências com organizações da sociedade civil que trabalham diretamente com a população afegã no Brasil, além da produção de pesquisas que servirão de base para advocacy e políticas públicas baseadas em evidências.
*Com informações da Agência Sebrae de Notícias