Quarta etapa de interiorização leva venezuelanos para Pernambuco, Paraíba e Rio de Janeiro

As pessoas que aceitaram participar do processo estavam vivendo em diferentes abrigos em Boa Vista.

Total de 163 venezuelanos e venezuelanas foram transportados para três estados na última terça-feira, dia 03 de julho. © ACNUR/AndréMadureira

Boa Vista, 05 de julho de 2018 (ACNUR) – O Governo Federal, com apoio do Sistema ONU no Brasil, realizou nesta terça-feira (3) a transferência de mais 163 venezuelanos e venezuelanas que estavam vivendo em Boa Vista, capital de Roraima. Eles foram transportados de forma voluntária pela Força Aérea Brasileira (FAB) para abrigos da sociedade civil localizados em Igarassu (PE), Conde (PB) e Rio de Janeiro (RJ).

Pela primeira vez, os três estados receberam as pessoas venezuelanas, já na quarta etapa do processo de interiorização. No total, 69 pessoas foram para Igarassu e 50 para o Rio de Janeiro, cidades onde foram acomodadas em abrigos geridos pela ONG SOS Aldeias Infantis. Outras 44 foram para uma casa de acolhida do Serviço Pastoral do Migrante, em Conde.

As pessoas que aceitaram participar do processo de interiorização estavam vivendo em diferentes abrigos em Boa Vista. Antes de embarcar, elas foram imunizadas e participaram de sessões informativas sobre as cidades de destino para avaliarem a decisão de recomeçar suas vidas em outros estados brasileiros.

O avião fez o primeiro pouso em Recife, onde desceram os grupos que foram encaminhados para Igarassu e Conde. O segundo pouso, com o último grupo, aconteceu no Rio de Janeiro, onde desembarcaram as últimas famílias, quase todas com crianças pequenas. No ato de chegada, as pessoas receberam lanches e quem solicitou teve também atendimento médico antes de serem transportadas em ônibus até os abrigos.

Apesar do cansaço, as pessoas sorriam e celebravam a nova chance de recomeço. Uma delas, Yelitza Lafont, chegou a dormir na rua em Boa Vista, acompanhada do filho de 19 anos, antes de buscar um abrigo, no qual foi informada sobre a possibilidade de se mudar para o Rio de Janeiro.

“Vim com duas mochilas: uma com roupas e a outra com sonhos”, conta a venezuelana de 43 anos, que trabalhava como professora de biologia em seu país. “Estou muito agradecida e posso dizer por todos nós que viemos com vontade e entusiasmo de trabalhar para ganhar o nosso dinheiro”.

Quem também estava ansioso para trabalhar era o mestre de obras Jeferson Pereira, que chegou ao Rio com a esposa e cinco crianças. “Se eu puder trabalhar na minha área, melhor ainda. Mas o mais importante é conseguir dar educação e alimentação adequada para meus filhos.”

O plano de interiorização tem caráter voluntário e nenhum custo para as pessoas transferidas. Com o objetivo de criar melhores condições de vida para os venezuelanos que estão no Brasil, o deslocamento para as novas cidades é fundamental, contando com o apoio da rede de acolhimento, proteção e integração mobilizada pelo ACNUR junto aos parceiros da sociedade civil e dos governos estaduais e municipais nas cidades de acolhida.

Mesmo com viagem cansativa, venezuelanos chegam empolgados ao Rio de Janeiro para recomeçarem suas vidas. © ACNUR/DiogoFelix

 

“Esperamos que, através dessa rede e da ação coordenada entre os setores público e privado, essas pessoas possam acessar os serviços não apenas de educação e saúde, mas, principalmente, as possibilidades de emprego e geração de renda”, informou Paulo Sérgio Almeida, Oficial de Meios de Vida do ACNUR Brasil.

Uma vez alocadas nos abrigos, as pessoas têm a liberdade para buscar oportunidades de trabalho e mesmo outro tipo de acomodação, caso assim desejarem.

Nas primeiras etapas, 527 venezuelanos e venezuelanas foram  levados para as cidades de São Paulo, Cuiabá e Manaus, em durante os meses de abril e maio. O processo é organizado pelo Governo Federal com apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), da Organização Internacional para as Migrações (OIM), do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

A atuação das agências da ONU se dá de forma integrada e de responsabilidades compartilhadas. O ACNUR estabelece o perfil da população registrada nos abrigos e identifica os interessados em participar da estratégia de interiorização. A OIM e o UNFPA atuam na informação prévia ao embarque, garantindo que as pessoas possam tomar uma decisão informada e consentida, sempre de forma voluntária. O UNFPA promove diálogos com as mulheres para que se sintam fortalecidas neste processo.

A OIM ajuda também na organização dos voos e acompanha os venezuelanos participantes no processo, que assinam termo de voluntariedade. O PNUD tem promovido seminários com o setor privado para estimular a inserção de trabalhadoras e trabalhadores venezuelanos no mercado de trabalho brasileiro.