Refugiado usa suas habilidades para melhorar a vida de outras pessoas

O voluntário sírio Mohamed Dhib esforça-se para tornar o alojamento de refugiados em Kara Tepe, na ilha grega de Lesvos, um lugar melhor para todos.

LESVOS, Grécia, 06 de março de 2017 – Desde o primeiro momento em que o sírio Mohamed Dhib pôs os pés em Kara Tepe, um alojamento para refugiados e solicitantes de refúgio na ilha grega de Lesvos, ele tem se esforçado para tornar o lugar melhor.

Mesmo agora, meses depois que ele e sua família se mudaram para um apartamento próximo, o eletricista retorna ao local todos os dias para ajudar o ACNUR, a Agência da ONU para Refugiados, e seus parceiros a melhorar o alojamento para as 900 pessoas que ainda residem por lá.

“Nós perdemos nossas vidas, precisamos começar de novo para vislumbrar um bom futuro”, disse Mohamed, de 44 anos, pai de quatro filhos e oriundo de Al-Sabinah, ao sul de Damasco. “Não queremos esperar sem nada para fazer. Precisamos trabalhar, precisamos ser alguém neste mundo”.

Mohamed começou a trabalhar como voluntário no verão passado quando viu trabalhadores que mediam o chão. Eles disseram que estavam instalando cabos para levar energia solar para o campo. Ansioso para fazer uso de suas habilidades, ele perguntou se poderia ajudar.

“Eu disse a eles, ‘perfeito, eu sou um eletricista, posso ajudar? Estou disponível, vou começar hoje’”, contou. Na maioria dos dias, ele e seu irmão Moufeed, de 34 anos, têm dado duro no trabalho. Primeiro se voluntariando para ajudar a instalar cabos subterrâneos, em seguida, para instalar painéis solares.

Desde janeiro, Mohamed vem auxiliando o ACNUR com uma operação mais ampla para ajudar as autoridades a instalar casas pré-fabricadas em Kara Tepe. Ele e Moufeed ajudam a conectar as novas unidades aos painéis solares e desconectam as casas vazias. Até agora, o ACNUR instalou 150 contêineres residenciais no município de Kara Tepe, com previsão de mais 142 ainda por vir.

“Aqui é melhor para meus filhos”, disse Horia Khalil, de 35 anos, uma solicitante de refúgio síria e mãe de três filhos. “Há mais espaço aqui do que no outro abrigo”.

 Ela e sua família vivem em Kara Tepe desde setembro e mudaram-se para uma das novas casas pré-fabricadas há oito semanas.

“Tenho muitos amigos de todas as partes do mundo. Posso falar com muitas pessoas, ajudar com o trabalho e aprender.”

A mudança foi benéfica à sua filha de sete anos que sofre pesadelos e ansiedade após as provações vividas em Alepo, cidade natal da família. “Graças a Deus estamos seguros”, disse Horia. “Mas meus filhos ainda têm medo das bombas, eu me preocupo com eles”.

Desde janeiro, o ACNUR transferiu mais de mil pessoas de um local administrado pelo governo em Moria para o campo de Kara Tepe e para apartamentos e hotéis. Esse número inclui todas as famílias, crianças desacompanhadas e sobretudo mulheres solteiras. O ACNUR está agora transferindo outras 130 mulheres de Moria, onde estão alojadas em uma área isolada.