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Refugiados da América Central chegam no Uruguai

Quatro famílias refugiadas da América Central chegaram na semana passada no Aeroporto Internacional de Carrasco em Montevidéu, no Uruguai, para poder reconstruir suas vidas longe da violência.

MONTEVIDÉU, Uruguai, 30 de novembro de 2017 (ACNUR) – Quatro famílias refugiadas da América Central chegaram hoje no Aeroporto Internacional de Carrasco de Montevidéu, no Uruguai, para poder reconstruir suas vidas longe da violência.

Sua chegada faz parte de uma iniciativa conhecida como Marco Integral Regional de Proteção e Soluções (MIRPS) para as Américas, baseado nos compromissos feitos pelos Estados na Declaração de Nova York sobre Refugiados e Migrantes de 19 de setembro de 2016, bem como nos mecanismos regionais existentes de responsabilidade compartilhada, como a Declaração de Ação de São José e o Plano de Ação do Brasil.

Desde 2009, o governo da República Oriental do Uruguai adota um Programa de Reassentamento, o qual permite que pessoas refugiadas com necessidades específicas de proteção possam ser acolhidas no país, provenientes de regiões altamente impactadas por crises humanitárias, conflitos e violência. Graças a esse programa, 69 pessoas refugiadas da Colômbia e 42 da Síria foram acolhidas no país. 

O Programa de Reassentamento do Uruguai também inclui atualmente as famílias afetadas pela situação do Norte da América Central (El Salvador, Honduras e Guatemala). Com esta iniciativa, o Uruguai se torna no primeiro país da América do Sul a receber refugiados dessa região.

O processo de seleção de famílias, que foram indicadas e assistidas pelo ACNUR, foi liderado pela Comissão de Refugiados (CORE), instituição encarregada de decidir sobre as solicitações de reconhecimento da condição de refugiado no Uruguai. A CORE está integrada por diversas instituições governamentais, universitárias e a sociedade civil, com o apoio técnico do ACNUR e sua agência parceira no Uruguai, o SEDHU (Serviço Ecumênico para a Dignidade Humana).

As famílias estarão sob um programa de acompanhamento conduzido por uma equipe de profissionais para facilitar sua integração social, econômica e cultural de maneira adequada, por meio de programas públicos e pela contribuição da comunidade internacional. As famílias serão acolhidas em quatro locais no interior do país, espaços que tiveram um papel primário no processo que agora se inicia para essas pessoas pela capacidade de reconstruir suas vidas no novo país. O programa tem como objetivo garantir a autossuficiência e a contribuição positiva dos refugiados em suas comunidades de acolhida.

Michele Manca di Nissa, Representante do Escritório Regional do ACNUR para o Sul da América Latina defendeu que: “Graças ao esforço conjunto de diversas instituições e atores, o Uruguai se tornou no primeiro país da América do Sul a receber os cidadãos de país do Norte da América Central, vítimas dos altos níveis de violência e que precisam de proteção internacional. Novamente destacamos a solidariedade e generosidade do governo uruguaio e esperamos que outros países da região façam parte dessa iniciativa humanitária”.

A violência se tornou numa das principais causas dos fluxos de refugiados oriundos de El Salvador, Guatemala e Honduras. Em meados de 2017, o número de refugiados e solicitantes de refúgio desses três países juntos chegou em mais de 240.000 pessoas, o que representa um aumento de quase dez vezes num período de cinco anos.