Judô dá primeira vitória à Equipe Olímpica de Refugiados e atletas encantam plateia da Rio 2016

Em mais um dia de competilções nos Jogos Olímpicos Rio 2016, a Equipe Olímpica de Atletas Refugiados segue cativando o público, mesmo sem avançar nas disputas por uma medalha.

Rio de Janeiro, 10 de agosto de 2016 (ACNUR) – Em mais um dia de competilções nos Jogos Olímpicos Rio 2016, a Equipe Olímpica de Atletas Refugiados segue cativando o público, mesmo sem avançar nas disputas por uma medalha. Hoje, as atenções se concentrarm na estreia dos judocas congoleses Yolande Mabika e Popole Misenga, que vivem no Rio de Janeiro e levantaram a torcida na Arena Carioca do Parque Olímpico da Barra da Tijuca.

Disputando a categoria 90 kq masculino, Popole foi ovacionado ao vencer por pontos o indiano Avtar Singh. Na segunda rodada da disputa, ele foi derrotado pelo atual campeão mundial de judô, o sul-coreano Gwak Dong-han. Mesmo assim, deixou a Arena Carioca sob aplausos. Sua colega de equipe, Yolande Mabika, disputou a categoria 70 kg feminino e foi derrotada na primeira luta pela israelense Linda Bolder. Ela também foi acolhida calorosamente pelo público.

“Quando entrei na Arena, pensei que não teria ninguém me apoiando. Mas vi que o Brasil inteiro estava torcendo pra mim. Fiquei emocionado e consegui vencer. Na segunda luta, enfrentei o campeão do mundo”, afirmou Popole, emocionado, após deixar a competição.

Yolande também deixou a Arena agradecendo o carinho do público. “Senti como se estivesse em casa. Fiquei muito feliz, pois vejo que muita gente gosta de mim. Estou representando muitas nações. Estamos juntos”, declarou a judoca.

Yolande e Popole integram a inédita Equipe Olímpica de Refugiados, composta por dez atletas que disputam diferentes modalidades: natação, judô, atletismo e maratona. Os atletas são refugiados da Etiópia, República Democrática do Congo, Síria e Sudão do Sul, e vivem em diferentes países: Alemanha, Bélgica, Brasil, Luxemburgo e Quênia.  

Técnico dos dois judocas, o brasileiro Geraldo Bernardes ressaltou a garra dos refugiados congoleses. “Enquanto outros atletas se preparam por quatro anos, eles se prepararam em quatro meses. Foi muito trabalho em pouco tempo. Mas a alegria e comprometimento deles nos trouxe a este momento”, afirmou Geraldo. Para ele, os dois atletas são vencedores e saíram da Arena Carioca “com uma medalha no peito”.

Yolande e Popole já fazem planos para o futuro e estão certos de que seguirão praticando o judô. “Vou continuar lutar. Estou forte, estou nova. E a luta não é só judô. Estou lutando por minha vida”, afirmou Yolande. “Quero apoios e patrocínios para participar de outras competições. Quero continuar minha profissão de judô, e vou atrás deste campeão do mundo para ganhar dele”, promete Popole.

Festa entre os congoleses – A participação dos dois judocas movimentou a comunidade de refugiados congoleses que vivem no Rio de Janeiro. Na sede da Cáritas Rio (instituição parceira da Agência da ONU para Refugiados), vários refugiados se reuniram para torcer pelos conterrâneos Yolande e Popole.

Em uma mistura de sentimentos que foram da apreensão ao êxtase, os refugiados entoaram cantos em diferentes idiomas para apoiar os atletas. Quando Yolande foi imobilizada pela lutadora israelense, os refugiados ficaram desapontados, mas mesmo assim reconheceram os esforços da atleta e a aplaudiram com entusiasmo.

Mas quando Popole, em seguida, iniciou sua participação, os ânimos foram se exaltando e chegaram ao ápice com a vitória do atleta em sua primeira luta. Foram muitos gritos, pulos e danças que contagiaram o ambiente, deixando um sorriso estampado no rosto de cada um.

“Popole representou muito bem os refugiados que vivem aqui no Brasil e no mundo. Ele mostrou que é possível buscar uma alternativa mesmo quando a vida está difícil. E isso é o que fazemos em nossas vidas: superar para continuar a ter esperança”, disse o refugiado congolês Carlos, que é amigo de Popole.

Para a refugiada congolesa Mirreile Mulula, a participação de atletas refugiados nos Jogos Olímpicos reafirma que “refugiados são como toda e qualquer pessoa – são profissionais de diferentes áreas, que buscam viver com dignidade”. Para ela, “a luta desses dois atletas representa nossa luta diária, nossa força e nossas conquistas”. “Você tem que deixar seu país e chegar em outro sem conhecer ninguém, falar a lingua e saber o que vai ser a sua vida. E chegar onde esses dois atletas estão hoje é um grande exemplo”.


Natação
– A Equipe Olímpica de Atletas Refugiados também participou hoje da Rio 2016 nas piscinas do Parque Aquático. A refugiada síria Yusra Mardini, que disputou os 100 metros borboleta, não conseguiu se classificar para as fases finais da competição. "Vou continuar a nadir e a apoiar os refugiados”, afirmou Yusra, que vive na Alemanha. “Certamente, o mundo terá uma visão diferente dos refugiados (após a Rio 2016). Esta equipe é incrível”, disse Yusra.

Por Luiz Fernando Godinho e Miguel Pachioni, do Rio de Janeiro

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