Ciclone Kenneth: equipe do ACNUR testemunha destruição e necessidade de ajuda imediata

Esse é um resumo do que foi dito pelo porta-voz do ACNUR Charlie Yaxley – a quem o texto citado pode ser atribuído – na coletiva de imprensa de hoje no Palais des Nations em Genebra

Moradores monitoram enchentes em Pemba depois que o Ciclone Kenneth atingiu Moçambique. © ACNUR / Luiz Fernando Godinho

A equipe do ACNUR chegou na cidade de Pemba, no nordeste de Moçambique, no sábado (27), um dia depois de a região ser atingida pelo Ciclone Kenneth – uma das mais fortes tempestades registradas no continente africano. Embora a área seja menos povoada do que outras partes de Moçambique, os danos e inundações ao longo do seu percurso foram extensos: atualmente 38 pessoas morreram e mais de 160 mil foram diretamente afetadas.

A equipe da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) testemunhou as consequências imediatas em primeira mão no domingo. Diversas áreas da cidade de Pemba foram completamente inundadas. Nas áreas mais carentes, as casas desmoronaram e as enchentes deixaram lama e lixo nas ruas – especialmente na parte baixa da cidade, perto do mar.

Nossos funcionários conseguiram visitar locais que estão servindo de abrigos para os sobreviventes do ciclone, incluindo escolas. Apesar da assistência estar em andamento, as pessoas precisam de abrigo, comida e abastecimento  de água adequados.

Crianças não estão indo à escola atualmente. E muitas famílias perderam tudo o que tinham – incluindo plantações e animais necessários para ganhar a vida. As pessoas estão ansiosas para voltar para casa, mas precisam de muita ajuda.

Em uma escola pública visitada pela equipe do ACNUR, cerca de 600 pessoas estavam abrigadas. As pessoas estavam preocupadas com a capacidade do local para abrigar mais vítimas do ciclone. Líderes comunitários disseram que precisam urgentemente de comida e utensílios, como pratos, panelas, garfos, colheres e facas. As mulheres pediram também por kits de higiene.

Caminhando pelas ruas de Pemba, fica claro que muitas casas estão danificadas e vão precisar de reparo. Comunidades estão se organizando para limpar as ruas e remover a areia e a sujeira trazidas pelas tempestades. O desespero é evidente.

Como as más condições climáticas ainda persistem, o acesso aos lugares mais remotos continua difícil. Há relatos de pessoas que estão completamente isoladas e precisam ser resgatadas. Outras agências humanitárias estão começando a transportar alimentos e remédios para esses lugares, mas ainda não de forma regular.

O ACNUR está planejando o envio de tendas familiares de emergência e itens básicos de socorro para Pemba de Beira, onde outras equipes de emergência estão respondendo aos sobreviventes do Ciclone Idai.

 

Para mais informações sobre esse tema, por favor contate:

Em Pemba, Luiz Fernando Godinho, [email protected], +258874230001

Em Pretoria, Markku Aikomus, [email protected], +2781 797 7456

Em Genebra, Charlie Yaxley, [email protected], +41 795 808 702