Enquanto a pandemia de Covid-19 continua, crianças deslocadas à força precisam de mais apoio do que nunca

Declaração conjunta de Henrietta Fore, diretora executiva do UNICEF, e Filippo Grandi, alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR)

O refugiado sírio Mohammad, de quatro anos de idade, come um morango enquanto sua mãe participa de uma aula de culinária no centro comunitário de Nuzha, apoiado pelo ACNUR, no leste de Amã, na Jordânia © ACNUR / Lilly Carlisle

Genebra/Nova Iorque, 20 de abril de 2020 – “Milhões de crianças em todo o mundo foram expulsas de suas casas e além-fronteiras por conflitos, violência e outras formas de dano – incluindo 12,7 milhões de refugiados e 1,1 milhão de solicitantes de asilo.

Com a rápida disseminação da pandemia de Covid-19, as necessidades das crianças refugiadas se tornaram ainda mais agudas. Atender a essas necessidades é essencial para salvaguardar o bem-estar atual e o potencial futuro dessas crianças.

Crianças deslocadas estão entre as que têm acesso mais limitado a serviços de prevenção, testes, tratamento e outros apoios essenciais. Além disso, é provável que as medidas relacionadas à pandemia e sua contenção tenham consequências negativas para a segurança e a educação desses meninos e meninas, que já eram precárias antes mesmo do surgimento da doença.

Ir à escola já era um desafio ou impossibilidade diária para muitas crianças deslocadas em todo o mundo. Menos da metade de todas as crianças refugiadas em idade escolar estava matriculada na escola, caindo para um em cada quatro nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio. Agora, é provável que mais crianças deslocadas fiquem fora da escola por um período prolongado e algumas nunca retornem.

Em alguns casos, as crianças também estão sem refeições ou água limpa por causa do fechamento das escolas. É provável que haja taxas crescentes de negligência, abuso, violência baseada em gênero e casamento infantil, à medida que as famílias experimentam mais dificuldades socioeconômicas. E há um risco crescente de estigmatização e preconceito, à medida que o vírus se espalha através das fronteiras e instila o medo.

A pandemia corre o risco de reverter os ganhos conquistados com muito esforço na expansão do acesso a proteção, saúde e educação para crianças refugiadas em todo o mundo.

Não podemos deixar isso acontecer. No momento em que as necessidades de apoio e atenção se multiplicam, a resposta à pandemia deve incluir compromissos claros com a proteção e o bem-estar de crianças deslocadas à força.

Como ACNUR e UNICEF, estamos comprometidos em fazer mais – e melhor – nesta crise e além, para crianças refugiadas, suas famílias e comunidades e aqueles que as hospedam.

Esse compromisso está alinhado à nossa nova iniciativa – um plano de ação conjunta – lançada por nossas duas organizações em janeiro de 2020 para expandir o acesso das crianças refugiadas aos serviços de proteção, educação, água e saneamento em um primeiro grupo de países prioritários.

Prometemos trabalhar juntos para transformar a qualidade de vida das crianças refugiadas e de suas famílias, dobrando o número de crianças refugiadas e retornadas com acesso à educação; garantindo que elas possam acessar serviços de água e saneamento limpos, sustentáveis e ambientalmente saudáveis; abordando as preocupações de proteção e garantindo serviços de resposta com qualidade e adequados para crianças; e identificando barreiras à inclusão nos sistemas nacionais.

ACNUR e UNICEF trabalham em colaboração em mais de 40 países ao redor do mundo e estão juntos para cumprir os compromissos assumidos pelas crianças no âmbito do Pacto Global para Refugiados. Continuaremos a fornecer o melhor apoio possível a todas as crianças refugiadas durante a pandemia da Covid-19 e além, e instamos os governos e a comunidade internacional para que se juntem a nós nesses esforços.

Como todas as crianças em todo o mundo, as crianças refugiadas merecem ter uma oportunidade justa na vida e ver seus direitos plenamente realizados. Embora a vida dessas crianças tenha sido interrompida por violência, deslocamento e agora uma pandemia, suas chances de um futuro digno serão reforçadas se elas tiverem acesso equitativo ao apoio e aos serviços de que precisam.”