ACNUR Brasil lamenta o falecimento de Cândido da Ponte Neto, diretor executivo da Cáritas Arquidiocesana do Rio de janeiro

Alto Comissário do ACNUR, Filippo Grandi, e o Diretor Executivo da Caritas Rio de Janeiro, Dr. Cândido da Ponte Neto, encontram-se em Brasília para evento em prol das pessoas refugiadas. Foto: ACNUR/Luiz Fernando Godinho

Brasília, 7 de abril de 2021 – O ACNUR, Agência da ONU para Refugiados, recebe com muito pesar a informação do falecimento de Cândido Feliciano da Ponte Neto, diretor executivo da Caritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro (CARJ). Sua história de vida se confunde com a história da proteção das pessoas refugiados no Brasil. Sua dedicação, ainda nos anos 1970, deu início a um trabalho sistemático de atenção a todas as pessoas refugiadas e solicitantes da condição de refugiado em território nacional.

Seria impossível celebrar todos os feitos do Dr. Cândido em uma nota, mas é imprescindível reconhecer a importância única de sua participação na construção da atual Lei Brasileira de Refúgio e do sistema protetivo que surgiu com base nela. Ele atuou incansavelmente como representante da sociedade civil junto ao Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), papel que exerceu com muita dedicação até o seu falecimento.

“O Dr. Cândido, como era carinhosamente chamado, foi e seguirá sendo em nossas memórias uma pessoa exemplar, que nunca se furtou de defender com afinco os direitos e a dignidade das pessoas refugiadas, sejam aquelas diretamente atendidas pelos serviços da CARJ como todas as demais que buscam proteção no Brasil. Lamentamos profundamente a perda dessa pessoa e profissional humanitário de quem muito nos orgulha a parceria estabelecida, de profundo impacto na vida das pessoas refugiadas”, afirmou Jose Egas, Representante do ACNUR no Brasil.

Em 2017, Cândido da Ponte Neto recebeu, do Ministério das Relações Exteriores, a medalha Sérgio Viera de Mello, concedida às pessoas que prestam inestimável contribuição nas áreas do direito internacional, direitos humanos, direito humanitário, assistência humanitária, direito dos refugiados e promoção da paz.

Na ocasião, ele lembrou o início do trabalho com pessoas refugiadas no Brasil (em 1975), quando tinha 27 anos e era ele quem fazia o atendimento e orientava essas pessoas.

O ACNUR tem tido a honra de atuar em parceria com a CARJ há mais de 40 anos, sob a liderança cuidadosa do Dr. Cândido, em favor da proteção e integração local de pessoas refugiadas. O ACNUR seguirá fortalecendo esse trabalho conjunto, sempre inspirado no legado solidamente construído ao longo de tantos anos. Todo esse tempo de dedicação reforça a perda de um profissional humanitário de reconhecida sensatez, dedicação e conhecimento sobre a causa a qual se dedicou.

O ACNUR estende suas condolências a todos os familiares, amigos e colaboradores da CARJ que direta ou indiretamente foram e continuam sendo influenciados positivamente pela dedicação de Cândido Feliciano da Ponte Neto para que refugiados das mais diversas nacionalidades, crenças e opiniões tenham encontrado no Brasil a devida proteção para reconstruir as suas vidas.

A Agência da ONU para Refugiados está segura de que toda a sua trajetória continuará sendo exemplo a todos os que trabalham pelas pessoas refugiadas no Brasil e na América Latina.