Novo abrigo expande acolhimento de venezuelanos em Boa Vista

ACNUR e as Forças Armadas abriram mais um abrigo público em Boa Vista, capital de Roraima, com capacidade para cerca de mil pessoas.

Crianças venezuelanas brincam no abrigo Rondon 3, aberto na última segunda-feira pelo ACNUR e pelas Forças Armadas. O 13º abrigo de Roraima tem capacidade para cerca de mil pessoas. ©ACNUR / Reynesson Damasceno

Boa Vista, Roraima, 23 de outubro de 2018 – Para aprimorar o ordenamento do fluxo de solicitantes de refúgio e migrantes venezuelanos que chegam no norte do Brasil e melhorar a resposta aos grupos mais vulneráveis, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e as Forças Armadas abriram ontem mais um abrigo público em Boa Vista, capital de Roraima.

Com capacidade para cerca de mil pessoas, o abrigo Rondon 3 é o 13º em operação no Estado. Foram acolhidas inicialmente 200 pessoas de perfil vulnerável que estavam na cidade fronteiriça de Pacaraima, já devidamente registradas e documentadas.

O 13º abrigo de Roraima tem capacidade para cerca de mil pessoas. ©ACNUR / Reynesson Damasceno

 

A abertura do novo abrigo contou com o apoio da Associação Voluntários para o Serviço Internacional (AVSI) e da  Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA), organizações parceiras do ACNUR em Roraima.

“Estamos sendo muito bem tratados desde que chegamos em Pacaraima, há duas semanas. Não foi fácil deixar nosso país, mas queremos um futuro melhor”, disse o soldador Carlos Brito*, que chegou ao abrigo com sua esposa e duas filhas. “Agora precisamos de trabalho para avançar”, completa Ariana*, sua esposa, que trabalhava como enfermeira.

Com a nova instalação, a população venezuelana (indígena e não-indígena) abrigada em Roraima  já soma cerca de 5.500 pessoas. O novo abrigo será ocupado gradualmente, reduzindo o número de pessoas atualmente nas ruas da capital roraimense.

Ao chegarem no Rondon 3, as famílias receberam kits de higiene pessoal e de limpeza, além de colchões e papel higiênico. As famílias com bebês também receberam fraldas. Os kits incluem pasta e escova de dente, sabonetes, shampoo e repelente de insetos, além de absorventes, sabão em pó, detergente, esponjas e desifentante. Estes itens não alimentares foram fornecidos pelo ACNUR, pela ADRA e pela AVSI, com recursos de seus doadores.

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Ao chegar no novo abrigo, as famílias venezuelanas foram alocadas em unidades habitacionais do ACNUR ou em tendas do Exército.©ACNUR / Luiz Fernando Godinho

 

Os abrigados foram vacinados em Pacaraima, receberão três refeições diárias fornecidas pelas Forças Armadas e terão que respeitar regras de convivência, como horário de entrada e saída e a proibição de fumar e consumir bebidas alcóolicas e outras drogas. Os moradores também foram registrados pelo ACNUR. Cada família será responsável pela limpeza de sua habitação.

Além de barracas do Exército brasileiro, o abrigo Rondon 3 está equipado com  unidades habitacionais inovadoras já utilizadas pelo ACNUR em operações humanitárias ao redor do mundo e instaladas pela primeira vez na América Latina.

Conhecidas como “Better Shelter”, as residências comportam até seis pessoas, possuem quatro janelas, divisória interna e são abastecidas com energia solar renovável. No total, o abrigo Rondon 3 terá 93 destas unidades, além de 69 tendas do Exército.

“Esta habitação é confortável e segura, além de oferecer privacidade”, observou a dona de casa Dariana Villa*, que veio da Venezuela com a filha e uma cunhada. Outra filha encontra-se em Manaus, capital do Estado de Amazonas. “A insegurança era muito grande e não podíamos mais sair de casa. A escassez de comida e falta de remédios são outros problemas”, observou Dariana, que pretende se reunir com a filha em Manaus.

No novo abrigo, as famílias venezuelanas receberam itens de higiene pessoal e de limpeza doados pelo ACNUR e pelos parceiros ADRA e AVSI, com recursos de seus doadores. ©ACNUR / Reynesson Damasceno

 

Dados oficiais indicam que 2,6 milhões de venezuelanos estão vivendo fora do país devido a uma complexa situação política e sócio-econômica. São várias as razões que levam estas pessoas a deixar seu país, entre elas a insegurança e a violência, redução na renda e dificuldade em obter comida, remédios e serviços essenciais.

Cerca de 70% destes venezuelanos estão em países da América do Sul, sendo o Brasil um dos destinos de quem busca proteção e assistência além das fronteiras do seu país. Segundo dados do governo federal, mais de 65 mil venezuelanos já solicitaram refúgio no Brasil. Outros 19 mil solicitaram residência temporária.

“Com a abertura deste novo abrigo temporário, os atores humanitários em Roraima estão melhores equipados para responder às necessidades dos venezuelanos que chegam em Boa Vista, reduzindo a pressão sobre as comunidades de acolhida”, afirma o chefe do escritório do ACNUR na cidade, Jeff Wilkinson.

O abrigo será coordenado pela AVSI com apoio das Forças Armadas. Parceira fundamental do ACNUR na resposta ao fluxo de venezuelanos, as Forças Armadas são responsáveis pela infraestrutura física dos abrigos e por fornecer alimentação, transporte, atendimento médico e segurança.

Todas estas entidades se coordenam no âmbito da Operação Acolhida, lançada em fevereiro deste ano pelo Governo Federal para cooperar com a ajuda humanitária aos solicitantes de refúgio e migrantes oriundos da Venezuela. A Operação Acolhida reúne as Forças Armadas, diversos ministérios do Governo Federal, agências do Sistema ONU no Brasil e entidades da sociedade civil organizada.

“Este abrigo foi construído em 70 dias, e continuamos nossos esforços para apoiar os venezuelanos que estão nas ruas. Vamos melhorar a logística alimentação para atender um maior número de pessoas”, afirma o porta-voz da Operação Acolhida, major Eduardo Milanez.

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*Nomes trocados por questões de segurança