Operação Acolhida celebra primeiro aniversário integrando venezuelanos e brasileiros em Roraima

Atividades envolvem música, esportes e exposição fotográfica, além de várias atrações na capital Boa Vista.

Aniversário de um ano da Operação Acolhida promove interação entre brasileiros e venezuelanos © ACNUR / Allana Ferreira

Um ano após iniciar as atividades de proteção e assistência aos venezuelanos que chegam ao Brasil pela fronteira com o Estado de Roraima, a Operação Acolhida celebra seu primeiro aniversário com atividades culturais e esportivas que promovem a integração entre refugiados e migrantes do país vizinho com brasileiros residentes na cidade de Boa Vista.

No dia 16 de março, uma feijoada beneficente e uma exposição fotográfica em um dos shopping-centers da cidade marcaram o início das celebrações. Já no último fim de semana, entre os dias 23 e 24, as comemorações tomaram a Praça Flávio Marques Paracat, um dos principais pontos turísticos de Boa Vista, com corridas de rua para crianças e adultos. Stands de organizações envolvidas na Operação Acolhida divulgaram informações sobre o trabalho com refugiados e migrantes venezuelanos nos abrigos públicos da cidade.

Com a participação de roraimenses e venezuelanos, as atividades movimentaram Boa Vista. A agenda segue nesta semana com diversas competições nos abrigos, que acolhem os mais vulneráveis.

As celebrações estão sendo promovidas pelas Forças Armadas, com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e outras agências das Nações Unidas – como Organização Internacional para as Migrações (OIM), Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), ONU Mulheres e Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), além do Governo do Estado de Roraima e da Prefeitura de Boa Vista.

Lançada em março de 2018, a Operação Acolhida operacionaliza a assistência emergencial para o acolhimento de refugiados e migrantes provenientes da Venezuela em situação de maior vulnerabilidade, decorrente do fluxo migratório provocado por crise humanitária. Ela tem o apoio de agências da ONU no Brasil e de organizações da sociedade civil. Já passaram pela operação cerca de 2.500 militares de diversas especialidades.

A Operação Acolhida é coordenada no âmbito do Comitê Federal de Assistência Emergencial, que funciona sob a coordenação da Casa Civil da Presidência da República, com a participação dos ministérios da Defesa, Cidadania, Justiça, Saúde, Educação, Relações Exteriores, Família e Direitos Humanos, Economia e Desenvolvimento Regional, além do Gabinete de Segurança Institucional.

No marco da operação, os venezuelanos que chegam ao Brasil são registrados, documentados e imunizados. Aqueles que pretendem permanecer no Brasil são orientados a solicitar refúgio ou requisitar visto de residência temporária. Os casos mais vulneráveis são encaminhados para abrigos temporários emergenciais.

Outro eixo importante da operação é a interiorização, que tem transferido refugiados e migrantes de Roraima para outro Estados do país, onde encontram melhores oportunidades de integração econômica e social. Mais de 5,2 mil refugiados e migrantes venezuelanos já foram interiorizados para 50 cidades em 17 Estados diferentes.

Segundo dados oficiais, mais de 240 mil venezuelanos entraram no Brasil desde 2017 (quase metade deles já saiu do país). Cerca de 160 mil venezuelanos foram regularizados até o momento, seja pela solicitação de refúgio (59%) ou por meio de um visto de residência temporária (41%).

Em um ano de operação, 56 mil Cadastros de Pessoa Física (CPF) foram emitidos para refugiados e migrantes. Já foram feitos mais de 22 mil atendimentos médicos, com cerca de 53 mil vacinas aplicadas nos de atendimento em Pacaraima e Boa Vista.

Além de envolver a população de Boa Vista e promover sua interação com refugiados e migrantes, as celebrações da Operação Acolhida recolhem donativos para melhorar a rotina dos venezuelanos em Boa Vista. Para participar da feijoada e das corridas, a população foi convidada a doar materiais escolares, kits higiene pessoal ou alimentos não perecíveis – que serão repassados à população abrigada.

Amigo da Acolhida – Na manhã do último sábado (23/03), as comemorações se iniciaram com a entrega do diploma “Amigo da Acolhida”, concedida pelo Exército Brasileiro a diversos órgãos públicos, agências da ONU (inclusive o ACNUR), organizações da sociedade civil e empresas do setor privado que têm apoiado a Operação Acolhida em Roraima.

Entrega dos diplomas “Amigo da Acolhida” para representantes das agências das Nações Unidas © ACNUR / Alan Azevedo

Durante a cerimônia, o general Eduardo Pazuello, Coordenador da Força-Tarefa Logística Humanitária da Operação Acolhida, explicou o processo de planejamento e construção dos abrigos de Roraima. O general também lembrou que o ACNUR já estava presente no estado desde os primeiros momentos.

“São tantos parceiros que nos ajudaram nessa missão. Todos se esforçaram por uma só causa, e hoje comemoramos aqui o sucesso da Operação Acolhida. Mas ainda tem muito trabalho pela frente”, discursou o general. “A ONU foi fundamental nesse processo”, completou o comandante.

A estratégia de interiorização é coordenada pelo Subcomitê Federal de Interiorização, do qual o ACNUR participa junto de nove ministérios em articulação com governos de estados e municípios de destino e organizações não governamentais.

Convidado ao palco com outras agências da ONU, o representante do ACNUR no Brasil, Jose Egas, foi diplomado pelo general Pazuello como símbolo da sólida parceria estabelecida ao longo do primeiro ano da Operação Acolhida.

“Para nós, o recebimento deste diploma é uma grande homenagem não somente ao trabalho que o ACNUR faz, mas ao trabalho que todos nós fazemos juntos. A resposta humanitária no Brasil é uma iniciativa que começa no Governo Federal e termina na sociedade civil, passando por todos os ministérios, Nações Unidas, ONGs e empresas privadas”, disse Egas.

Para ele, o diploma é “o reconhecimento de ser parte de uma equipe que trabalha 24 horas por dia não somente em Roraima, mas em todo o Brasil para continuar oferecendo a proteção aos refugiados e migrantes”.

Acolhida em Ação – No último final de semana, a agenda de atividades correu na mais intensa velocidade, literalmente. Com a participação dos governos estadual, municipal e entidades da sociedade civil, os parceiros da Operação Acolhida promoveram a “Acolhida em Ação”, com corridas de 5km e 10 km, a “Corridinha da Acolhida” para as crianças e um passeio ciclístico. A iniciativa esportiva recebeu o apoio financeiro da União Europeia, que tem apoiado na resposta humanitária em Roraima possibilitando projetos de integração e convivência pacífica.

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Participantes se preparam para largada da Corrida da Acolhida. © ACNUR / Allana Ferreira

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As atividades do aniversário estavam abertas para qualquer um que quisesse participar de qualquer nacionalidade e idade. © ACNUR / Allana Ferreira

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Jeicy e amigos se divertindo durante o aquecimento para corrida. © ACNUR / Allana Ferreira

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Premiação dos vencedores do 5º ao 1º lugar nas categorias: 5 km fenmino e masculino, e 10km femino e masculino. © ACNUR / Allana Ferreira

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A Corrida da Acolhida contou com o apoio do ACNUR e diversos outros parceiros. © ACNUR / Allana Ferreira

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Aulas de dança fizeram parte da programação. © ACNUR / Allana Ferreira

As atividades no domingo (24) começaram a partir das 16h. Antes da largada, uma sessão de aquecimento animou os participantes. Uma grande aula de dança permitiu que brasileiros e venezuelanos se divertissem juntos e se preparassem para os quilômetros que viriam.

“Esse evento é algo muito importante para nós venezuelanos porque nos permite socializar com os brasileiros. Nós somos muito agradecidos por todo o suporte que viemos recebendo dos brasileiros, das agências da ONU, das ONGs e de toda a Operação Acolhida. Desde a comida e abrigo até a corrida que promove a nossa integração com a sociedade e com outros abrigos. Nós só temos a agradecer”, diz a jovem venezuelana Jeicy Mendez, de 23 anos, que atualmente mora no abrigo Rondon 3.

Além da corrida – Brasileiros e venezuelanos residentes na capital roraimense não só tiveram a oportunidade de suar a camisa nas atividades físicas promovidas durante o evento, mas também de conhecer o trabalho que vem sendo realizado com os venezuelanos dentro e fora dos abrigos.

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Visitantes posam em frente a estrutura usada em abrigos de refugiados © ACNUR / Allana Ferreira

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Funcionário do ACNUR explica sobre os abrigos para visitantes do stand da agência, como Poliana Lima © ACNUR / Allana Ferreira

Uma das unidade de abrigamento para refugiados (ou RHU, de Refugee House Unit) usadas nos abrigos de Boa Vista foi instalada ao lado do stand do ACNUR. Todos que passavam tinham a oportunidade de entrar e entender um pouco do trabalho que a Agência da ONU para Refugiados realiza, desde a assistência para quem atravessa a fronteira na cidade de Pacaraima até a gestão de abrigos em Roraima.

Os visitantes se informaram sobre como os refugiados e migrantes vivem nos abrigos, as dificuldades que enfrentam na jornada da fronteira até Boa Vista e quais são seus direitos e deveres, além de detalhes da estratégia de interiorização para outros estados brasileiros.

“Foi muito interessante conhecer toda essa questão humanitária, e o que as agências estão fazendo. Eu mesma não sabia como funcionava toda essa ajuda”, expressa a roraimense Poliana Lima, que nasceu e cresceu em Boa Vista e trouxe toda a família para o evento. “Não temos ideia de como as pessoas vivem dentro dos abrigos, e agora podemos entender e experimentar um pouco dessa sensação”, disse Poliana, enquanto se preparava para correr os 5km no domingo.

Exposição e jogos entre abrigos – A exposição de fotos “Olhares Acolhedores” de celebração de um ano da Operação Acolhida segue em cartaz no Pátio Roraima Shopping até o dia 30 de março. Na abertura, frequentadores do centro comercial foram surpreendidos com a apresentação da banda de música da 1ª Brigada Infantaria de Selva, com um repertório que mesclava músicas brasileira e venezuelanas. “Foi tocante ver pessoas que se emocionaram com as fotos expostas, entre elas venezuelanos que estavam vivendo nas ruas quando a Operação Acolhida começou a levar pessoas para os abrigos”, relata a Coronel Carla Beatriz, Chefe da Célula de Comunicação Social da Operação Acolhida.

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Exposição de fotos de um ano da Operação Acolhida no Pátio Roraima Shopping © ACNUR / Allana Ferreira

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Algumas das fotos em exposição © ACNUR / Allana Ferreira

As atividades do final de semana acabaram, mas os jogos entre abrigos continuam. No último domingo também foi a cerimônia de abertura dos jogos que acontecerão durante a semana. Times de cada abrigo participarão de uma competição em diferentes modalidades esportivas, como futebol, vôlei, cabo de guerra, xadrez e kikimbol.

“Um evento que tenha como plano de fundo o esporte, mas com a intenção principal de promover essa interação entre sociedade civil e venezuelanos, posso dizer que o objetivo foi alcançado”, diz o Chefe do Estado Maior da Força-Tarefa Logística Humanitária para o Estado de Roraima e organizador do evento, Coronel Roger Herzer.

 

Wilbert Pereira Lima, ganhador da corrida de 10 km © ACNUR / Allana Ferreira

O ganhador da corrida de 10 km, o roraimense Wilbert Pereira, que terminou o percurso em 33 minutos e 28 segundos, considerou o evento importante para integrar o sociedade local com refugiados e migrantes.  “Eventos assim nos ajudam a entender como está a situação dos venezuelanos. Apesar das dificuldades do estado, é nítido a diferença da cidade de antes da Operação Acolhida e agora, e a nós também cabe agradecer por todas as melhorias que a Operação trouxe.”

Para o coronel George Feres Kanaan, coordenador adjunto da Força-Tarefa Logística Humanitária da Operação Acolhida, uma das suas maiores conquistas é trabalhar de forma unida com tantas organizações diferentes. “E essa junção de esforços coordenados é o que permite a Operação ter o alcance que tem.” O coronel também lembra que o Brasil é referência na resposta para a situação dos venezuelanos, e muito disso se deve a recepção da nação brasileira, especialmente dos roraimenses.