Cartilha multilíngue promove saúde de indígenas venezuelanos refugiados no Brasil

ACNUR e Fraternidade Internacional lançam publicação em 4 idiomas voltada para indígenas venezuelanos da etnia Warao e Eñepa e profissionais de saúde

Cartilha está disponível em vários idiomas © ACNUR/Felipe Irnaldo

Nos esforços para apoiar as populações mais vulneráveis à pandemia do novo coronavírus, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e a Instituição Fraternidade – Federação Humanitária Internacional (FFHI) lançam a cartilha ‘Comunicação sobre Saúde com Indígenas Warao e Eñepa’, disponível em português, espanhol, e também nos idiomas nativos dessa população indígena em situação de refúgio no Brasil.

Voltado também para profissionais de saúde, a publicação traz uma perspectiva intercultural para facilitar a comunicação e o entendimento com a população indígena sobre saúde, diagnóstico e tratamento de acordo com a cosmologia de cada grupo. O material foi produzido em estreita colaboração com lideranças dessas duas etnias, que apoiaram na tradução, revisão e ilustração.

Estima-se que aproximadamente 4 mil indígenas venezuelanos vivam atualmente no país ( a maioria das etnias Warao e Eñepá), em consequência do  fluxo de refugiados e migrantes venezuelanos para o país. Entre as vulnerabilidades deste grupo, a saúde é um dos pontos mais preocupantes para as organizações humanitárias que lidam com a resposta emergencial a estas populações.

A cartilha complementará o trabalho informativo de prevenção em saúde (inclusive a COVID-19) que o ACNUR e parceiros realizam com indígenas venezuelanos abrigados nos estados de Roraima, Amazonas e Pará (onde a maioria dessas populações se encontra) e também em outros Estados do país. .

A publicação traz informações sobre as doenças mais comuns entre essas populações, como a gripe, tuberculose, pneumonia e asma. Ainda, inclui as medicinas tradicionais utilizadas por cada grupo no tratamento de queimaduras, febre, inflamações, cólica, dores de estômago, diarreia e outros sintomas.

A cartilha apoiará ações de saúde a nível nacional, podendo ser impressa e distribuída em postos de saúde local e também à população indígena venezuelana.

Além da barreira do idioma, que dificulta o acesso à informação de qualidade, parte dessas populações vive em trânsito constante em busca de meios de vida relacionados à sua cultura, o que dificulta um abrigamento contínuo e a garantia de segurança alimentar e acompanhamento médico adequado

“A pandemia apresenta perigos adicionais às populações indígenas venezuelanas”, destaca o coordenador da resposta indígena venezuelana do ACNUR no Brasil, Sebastian Roa. “A cartilha é um instrumento intercultural feito com e para eles, a fim de facilitar o acesso aos sistemas públicos de saúde e promover uma melhor comunicação com os profissionais que os atenderão”, conclui.

“Essa cartilha representa uma um grande avanço na promoção da integração da população indígena nos sistemas nacionais”, afirma Clara, Diretora Regional da Fraternidade – Humanitária (FFHI). “Acompanhamos essa população diariamente na gestão dos abrigos Pintolândia e Janokoida, em Roraima, e sabemos da importância de ter essa ferramenta”, conclui.

Em conjunto com autoridades estaduais e municipais e com a Operação Acolhida (resposta federal ao fluxo de refugiados e migrantes venezuelanos no Brasil), o ACNUR e parceiros têm implementado ações que garantem abrigamento, segurança alimentar, acesso à serviços de saúde e informação de qualidade nos idiomas das etinas Warao e Eñepa.

Todas estas atividades são feitas em coordenação com a Operação Acolhida e em conjunto com as agências da ONU e organizações da sociedade civil reunidas sob a iniciativa R4V (Plataforma de Resposta a Venezuelanos e Venezuelanas).

Para mais informações sobre como o ACNUR tem atuado para apoiar a população refugiada indígena no contexto da pandemia, visite nosso site.

O ACNUR agradece todos os seus doadores pelas importantes contribuições que nos permitem continuar trabalhando para oferecer dignidade, proteção e segurança para refugiados e solicitantes de refúgio no Brasil.