Com apoio do ACNUR, hospital de campanha para COVID-19 inicia atendimento a refugiados e comunidade local em Boa Vista

Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) teve papel decisivo na construção e implementação do hospital de campanha, oferecendo suporte técnico e doações de equipamentos

Hospital de campanha tem capacidade para atender mais de 2.000 pessoas © ACNUR/Jesus Cova

São Paulo e Boa Vista, 19 de junho de 2020Às vésperas do Dia Mundial do Refugiado, celebrado neste sábado (20/06), a Operação Acolhida iniciou hoje em Boa Vista (Roraima) o funcionamento da ala de cuidados do hospital de campanha construído para atender pessoas refugiadas, migrantes e moradores das comunidades locais vítimas da COVID-19. Construído com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e parceiros, o hospital faz parte da chamada Área de Proteção e Cuidados (APC) – uma das frentes da resposta de saúde dos governos federal, estadual e municipal à pandemia do novo coronavírus e amplia o número de leitos hospitalares de terapia intensiva disponíveis na região.

A participação da Agência da ONU para Refugiados tem sido fundamental para assegurar o pleno funcionamento do hospital de campanha. O ACNUR contribuiu para o projeto desde a elaboração do estudo preliminar do plano arquitetônico da APC, além de doar 2.000 camas e 250 unidades residenciais (casinhas modulares que substituem as tendas) usadas nos abrigos da Operação Acolhida para servir como ambientes de isolamento de casos suspeitos e confirmados. O ACNUR colaborou ainda com o desenvolvimento da ferramenta de gestão da informação que permite processar prontuários médicos e agilizar os atendimentos. Também articulou uma parceria com o Fundo Todos Pela Saúde, que doou equipamentos de proteção individual, aparelhos hospitalares e outros insumos que estão contribuindo para o funcionamento efetivo deste hospital de campanha.

“O ACNUR foi um dos atores responsáveis por viabilizar o apoio do Itaú e do Hospital Sírio Libanês à Operação Acolhida para a implementação da Área de Proteção e Cuidados, por meio do Fundo Todos Pela Saúde. O projeto já vinha apoiando vários estados no Brasil no enfrentamento da pandemia, e o ACNUR viu a possibilidade de apoiarmos também a APC, para ampliar o atendimento a brasileiros, refugiados e migrantes aqui”, disse hoje em Boa Vista o consultor e líder do projeto Todos Pela Saúde para a APC, José Pereira de Souza.

A Área de Proteção e Cuidados é dividida em duas partes. A primeira, de Proteção, é uma área para isolamento de casos suspeitos e confirmados, com capacidade para receber até 1.000 pessoas. Ela é composta pelas 250 unidades residenciais doadas pelo ACNUR. Já na área de Cuidados serão realizados os atendimentos de casos mais graves (nas Unidades de Tratamento Intensivo), os que requerem acompanhamento clínico (menos graves) e as internações em enfermaria – no total, 782 leitos hospitalares estarão disponíveis para a população.

“Em coordenação com a Operação Acolhida, começamos a agir muito rapidamente, assim que foi declarada a pandemia. A experiência global do ACNUR já nos dava indícios da dificuldade de evitar a disseminação do novo coronavírus entre uma população deslocada forçosamente e com as limitações do sistema de saúde local”, diz José Egas, representante do ACNUR no Brasil. “A inauguração do hospital de campanha, que atenderá a população local e também os refugiados e migrantes, é uma ótima notícia para marcar o Dia Mundial do Refugiado em Roraima.”

“Agradeço imensamente o comprometimento e a confiança de todas as autoridades e parceiros que nos apoiaram nessa empreitada. Temos um árduo caminho pela frente, mas podemos nos fortalecer e usar nossa sabedoria para servir a população”, afirmou hoje o Coordenador da Operação Acolhida, General de Divisão Antonio Manoel de Barros.

Atualmente, cerca de 43 mil pessoas refugiadas vivem no Brasil. Outras quase 300 mil pessoas já apresentaram solicitação para reconhecimento da condição de refugiado. Muitos estão abrigados pela Operação Acolhida – resposta governamental ao fluxo de refugiados e migrantes venezuelanos para o Brasil. Para muitas dessas pessoas, ficar em casa em isolamento social não é uma opção. Como muitos vivem em moradias temporárias, precisam dividir um mesmo espaço com muitas pessoas.

Como parte da contribuição do ACNUR à resposta governamental à pandemia da COVID-19, a Agência da ONU para Refugiados já distribuiu mais de 9 mil kits de limpeza, kits de higiene pessoal, colchões e redes, beneficiando cerca de 15 mil pessoas refugiadas e migrantes da Venezuela. “Tem sido muito importante a doação de pessoas físicas e jurídicas para conseguirmos fazer todo esse trabalho. Neste momento, a solidariedade é fundamental”, destaca Egas.

A nível nacional, o ACNUR tem reforçado o apoio financeiro para pessoas refugiadas em situação de maior vulnerabilidade, garantindo seus gastos emergenciais durante a pandemia da COVID-19. Também tem atuado, de forma decisiva, na distribuição de informações seguras sobre a prevenção ao novo coronavírus e de orientações sobre como a população refugiada pode acessar os auxílios emergenciais pagos pelo governo federal. Tudo isso em coordenação com autoridades públicas, parceiros da sociedade civil e doadores privados (individuais e empresariais).

Sobre o ACNUR – A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) é uma organização humanitária global dedicada a salvar vidas, proteger os direitos e garantir um futuro digno aos refugiados, deslocados internos e apátridas, vítimas de violações dos direitos humanos. Presente em mais de 130 países, o ACNUR atua em conjunto com os setores público e privado, para garantir assistência emergencial, aprimorar políticas públicas e empoderar organizações parceiras que também trabalham com a causa.

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