Novo abrigo aprimora acolhimento de refugiados e migrantes indígenas venezuelanos em Manaus

Prefeitura, com apoio das Nações Unidas, realoca 158 indígenas da etnia Warao para espaço mais amplo e seguro; Realocações seguem até acolhimento da totalidade da população indígena refugiada e migrante que vive na capital amazonense

Yessica Cardona, 31 e Marcelino Moraleda, 34, desembarcaram no novo abrigo com seus quatro filhos ©ACNUR/Felipe Irnaldo

Manaus, 15 de julho de 2020 – Para aprimorar o acolhimento de indígenas venezuelanos da etnia Warao na capital do estado do Amazonas, a Prefeitura de Manaus, com apoio de agências das Nações Unidas, inaugurou nesta terça-feira (14) um novo abrigo na região do Tarumã-Açu, Zona Oeste da cidade. Ao todo, 158 pessoas refugiadas e migrantes desta etnia foram realocadas nesta etapa, que dá seguimento à estratégia de resposta do município ao fluxo desta população venezuelana para a cidade.

A ação contou com apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), da Organização Internacional para as Migrações (OIM), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). Além disso, apoiaram a ação instituições da sociedade civil, como Instituto Mana, ADRA e Aldeias Infantis SOS Brasil.

Com uma área de 6 mil m², o espaço contará com dois redários, cada um com capacidade para 100 pessoas, incluindo 22 banheiros, refeitório para 120 pessoas sentadas, cozinha, quadra de esporte, cisterna de 200 mil litros para abastecimento, salão de reunião para 200 pessoas, prédio com quatro suítes, quarto e cozinha e uma casa, além de um riacho e área para agricultura familiar.

O espaço também conta com lavatórios e sabonetes para as mãos em todos os espaços, com o objetivo de prevenir a disseminação do novo coronavírus.

“Estamos muito animados com esse novo espaço e orgulhosos por estar aqui. Foram muitos meses em outros abrigos, e graças ao apoio que está sendo dado chegamos a este espaço mais seguro para minha esposa, eu e nossos filhos. Só temos a agradecer”, destaca Marcelino Moraleda, 34, que junto com a esposa Yessica, veio com seus quatro filhos da Venezuela em abril de 2017.

Indígenas venezuelanos chegam em novo espaço de abrigamento no Bairro do Tarumã-Açu, Zona Oeste de Manaus

Indígenas venezuelanos chegam em novo espaço de abrigamento no Bairro do Tarumã-Açu, Zona Oeste de Manaus © ACNUR/Felipe Irnaldo

A realocação contou com uma triagem de saúde conduzida pela ADRA, parceira do UNICEF e com apoio da OIM. Além disso, as famílias receberam redes de dormir doadas pelo ACNUR, kits de higiene entregues pelo UNICEF, além de roupa de cama, colchonetes e dois bebedouros doados pela OIM.

A ação intensifica a resposta do município de Manaus ao fluxo de deslocamento de refugiados e migrantes venezuelanos para a cidade, que teve início em 2018, com a alocação dos indígenas em dois espaços de acolhimento no bairro Alfredo Nascimento e Tarumã. Com o advento da pandemia de COVID-19, os refugiados e migrantes foram emergencialmente alocados em cinco espaços provisórios, até serem alocados neste novo local.

Ação teve coordenação da Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (SEMASC)

Ação teve coordenação da Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (SEMASC) © ACNUR/Felipe Irnaldo

Desde o início da pandemia, as Nações Unidas cooperaram diretamente na resposta às populações refugiada e migrante no Amazonas. A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) apoiou o processo de construção da estratégia de proteção, apoiando tecnicamente a gestão dos espaços provisórios, a construção de áreas de isolamento temporário de casos suspeitos de coronavírus, além a entrega de kits de higiene individuais e coletivos, colchões, capas e outros itens básicos.

Com apoio do Instituto Mana, o ACNUR também realizou diversas atividades de proteção e de comunicação com a comunidade, ajudando a estruturar comitês de gestão, e facilitando a troca de informações de saúde entre a população por meio da rádio comunitária Yakera Jokonae, que atualmente é liderada pelos próprios indígenas.

Além de apoiar tecnicamente as realocações, durante o período de maior incidência da pandemia em Manaus, a OIM complementou a alimentação dos indígenas, fornecendo mais de 18 mil refeições aos waraos abrigados pela Prefeitura, além de reforçar o fornecimento de absorventes, fraldas e outros itens de primeira necessidade, entre eles os bebedouros.

Famílias são recebidas e passam por triagem antes de entrarem no novo abrigo

Famílias são recebidas e passam por triagem antes de entrarem no novo abrigo ©ACNUR/Felipe Irnaldo

No abrigo Tarumã-Açu, o UNFPA atuará por meio de atividades de sensibilização comunitária para a promoção da saúde sexual e reprodutiva das pessoas abrigadas. Também será feita a distribuição de Kits Dignidade, que são kits contendo itens essenciais de higiene como sabonete, álcool em gel e absorventes íntimos, para todas as mulheres e meninas adolescentes do abrigo, bem como de Kits de Limpeza de Espaços Coletivos, reforçando as medidas de prevenção contra a COVID-19.

As Unidades Básicas de Saúde e Maternidades de referência para o abrigo Tarumã-Açu também serão fortalecidas pelo UNFPA por meio da doação de equipamentos, medicamentos e insumos especialmente voltados aos atendimentos em saúde materna e da mulher da comunidade Warao e local.

Dentro da resposta de COVID-19 à população indígena, o UNICEF tem atuado diretamente em ações de promoção da saúde comunitária, no acesso à água, higiene e saneamento, na educação e proteção de crianças e adolescentes. No novo espaço, o UNICEF e seus parceiros Aldeias Infantis SOS Brasil e ADRA, trabalham no diálogo com as comunidades sobre o novo abrigo e nas avaliações de saúde da população, garantindo que sejam identificados possíveis casos de pessoas sintomáticas em relação à COVID.

Também estão sendo consolidados espaços seguros de proteção e educação para crianças e adolescentes, os Súper Panas, junto com Aldeias Infantis, além de ações de saúde, nutrição, água, higiene e saneamento, por meio da ADRA.

Emergência dentro da emergência – Estima-se que cerca de 4 mil refugiados e migrantes indígenas Warao estejam no Brasil, 600 deles no Amazonas. Em Manaus, esta população é apoiada com diversas atividades de proteção à COVID-19, incluindo a realocação para espaços mais seguros apoiados pelas autoridades municipais, onde têm alimentação três vezes ao dia, além de sessões informativas sobre o coronavírus e medidas de prevenção.