Alojamento de Trânsito de Manaus (ATM) alcança marca de 10 mil refugiados e migrantes interiorizados

Adotando medidas de prevenção ao COVID-19, espaço auxilia pessoas refugiadas e migrantes que aguardam por voos de interiorização para outros estados do país

A família de Yohana Andreina, 40 anos e Arquimedes Ojeda, 42, embarcou para Sorriso (MT). Grupo pernoitou no Alojamento de Trânsito de Manaus antes de seguir viagem de avião Foto: © ACNUR /Felipe Irnaldo

Manaus, 11 de março de 2021 – Estruturado para viabilizar a interiorização de pessoas refugiadas e migrantes venezuelanos para outras cidades do Brasil, o Alojamento de Trânsito de Manaus (ATM) já auxiliou mais de 10 mil pessoas a se deslocarem para 23 estados no país desde que foi inaugurado, em julho de 2019.

Estrutura com maior capacidade de recepção da Estratégia de Interiorização do Governo Federal da Operação Acolhida, o ATM funciona como um centro de acolhimento temporário para quem já está cadastrado e está com viagem marcada para outros estados do Brasil, aguardando deslocamento ao aeroporto. O espaço fornece acomodações para até 254 pessoas respeitando as medidas de prevenção à COVID-19 e podendo chegar a receber mais de 1 mil pessoas mensalmente.

Em trabalho conjunto com o Ministério da Defesa, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) atua na gestão do alojamento em parceria com a organização Fraternidade Internacional (FFHI) e Ministério da Cidadania. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) e a Operação Acolhida fornecem passagens de avião e apoio logístico, e o Governo do Estado do Amazonas, as instalações.

Presente desde a inauguração do ATM em 2019, o ACNUR já investiu mais de R$ 1,4 milhão na adequação da infraestrutura e reforma de banheiros, aquisição de itens como colchões, bebedouros e mobília, bem como estruturação de equipe técnica especializada através da parceria de sua parceira implementadora Fraternidade Internacional. A ação conta com apoio do Departamento de Ajuda Humanitária e Proteção Civil (ECHO), da União Europeia.

O investimento em estrutura de abrigamento adaptada inclui a instalação de 47 Unidades de Habitação Emergencial (RHUs) na área de pernoite. Também já foram distribuídos cerca de 1.800 itens de primeira necessidade e assistência humanitária, tais como kits de higiene, kits de limpeza, fraldas, roupas álcool gel e mochilas.

Em uma dessas unidades de habitação esteve a família de Maria de los Angeles Vargas, de 23 anos. O grupo de cinco pessoas veio aos poucos do estado de Apure, na Venezuela, a partir de novembro de 2017. Reunidos em Boa Vista desde então,  se voluntariaram para participar da estratégia de interiorização em 2020 e viajaram para Cascavel, no estado do Paraná, buscando encontrar familiares e mais alternativas para empregabilidade.

“Ajuda muito ter um lugar seguro para ficar, e a passagem de avião é um grande apoio. O Brasil é um dos países que melhor acolheu os venezuelanos, estão nos dando a possibilidade de ir para outra cidade, para tentar ajudar a conseguir emprego e colocar nossos filhos na escola. Isso é um sonho sendo realizado”, destacou Maria Vargas, mãe do pequeno Reinaldo Josué Vargas, de quatro anos. Eles encontrarão um grupo de amigos já estabelecidos no município paranaense, que será um ponto de partida para conseguirem uma nova ocupação.

Família de Maria Vargas, de 23 anos, interiorizada voluntariamente para Cascavel, Paraná © ACNUR Brasil/Felipe Irnaldo

No alojamento, ACNUR e seu parceiro Fraternidade contam com equipe de coordenação, saúde, proteção, mobilização comunitária e registro, que atuam em todo o processo de recepção, acolhimento e desligamento das famílias assistidas no local. As organizações buscam assegurar que os beneficiários tenham acesso a itens de higiene, limpeza e alimentação, bem como que os casos que necessitem de monitoramento de proteção devido a situação de vulnerabilidade sejam referenciados para rede local de assistência. Como medidas de prevenção ao COVID-19, todos os beneficiários passam por medições de temperatura, participam de sessões informativas e distribuição de kits de higiene durante a estadia.

“Esse apoio tem sido muito bom, não temos do que reclamar. Desde que chegamos estamos sendo muito bem cuidados, todos tão sendo muito atenciosos. Estamos ajudando na cozinha, meu marido na manutenção do espaço também, aqui sempre as tarefas são divididas. Cada dia estar mais perto de realizar os nossos sonhos têm nos dado esperança”, destaca Yohana Andreina, venezuelana de 40 anos, que veio do estado de Sucre há um ano e dois meses.

Além das malas, a família carrega um sonho: de ver os pequenos Danilo, Dario e Leonardo se tornarem jogadores de futebol profissional. “Não teríamos condições de pagar a passagem, e agora, estamos muito perto de começar de novo. Vou ajudar meus filhos a alcançar esse sonho, e um dia teremos essa história para contar”, finaliza.

Leonardo (a esquerda) sonha sem ser jogador de futebol profissional. Em Sorriso (MT) buscará concretizar esse sonho © ACNUR /Felipe Irnaldo

Estratégia de interiorização

Desde abril de 2018, cerca de 49 mil venezuelanos já foram realocados para mais de 600 cidades do Brasil. Sendo um dos pilares da Operação Acolhida (resposta do governo federal ao fluxo de refugiados e migrantes da Venezuela para o Brasil), a estratégia tem se expandindo deste então e contado, cada vez mais, com diversas parcerias de empresas privadas e ONGs.

“A interiorização é um esforço conjunto entre união, estados, municípios, sociedade civil e empresas para trabalharem juntos no encontro de soluções sustentáveis para refugiados e migrantes no Brasil. O Alojamento de Trânsito de Manaus é um dos pilares dessa estratégia, possibilitando que milhares de pessoas tenham condições de seguir viagem de maneira segura, retomando sua jornada pelo Brasil de uma forma digna”, explica a oficial de campo do ACNUR, Catalina Sampaio.

Para participar do programa, refugiados e migrantes venezuelanos podem acessar os Postos da Operação Acolhida em Roraima e Amazonas.

Atualmente, ACNUR e outras organizações realizam periodicamente sessões informativas nos abrigos, espaços da Operação Acolhida e sociedade civil para garantir que a participação na estratégia de interiorização aconteça de maneira informada e segura por parte dos beneficiários, que podem acessar os postos de atendimento da Operação Acolhida em Roraima e Amazonas para cadastramento voluntário.