Desde a década de 1990, nos comprometemos cada vez mais com a proteção do meio ambiente e com os desafios ambientais associados ao recebimento de uma grande população em uma pequena área. No decorrer das últimas duas décadas, estabelecemos programas e iniciativas voltados para melhorar a gestão ambiental sustentável com o objetivo de reduzir a degradação ambiental e melhorar os recursos disponíveis para os deslocados, bem como para as comunidades que os acolhem.

Os desastres e as mudanças climáticas são uma preocupação crescente. Desde 2009, estima-se que a cada segundo uma pessoa é deslocada em razão de um desastre ambiental, com uma média de 22,5 milhões de pessoas deslocadas por eventos climáticos ou relacionados ao clima desde 2008 (IDMC 2015). O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês) projeta um aumento no número de deslocados ao longo deste século.

A maioria das pessoas sob o mandato do ACNUR está concentrada nas áreas mais vulneráveis ​​do mundo. As mudanças climáticas irão forçar as pessoas rumo à pobreza e ao deslocamento, exacerbando os fatores que levam a conflitos, tornando ainda mais complexas as necessidades humanitárias e as respostas nessas situações.

Estamos profundamente preocupados com os enormes desafios de proteção levantados por desastres e deslocamentos relacionados com o clima, e trabalhamos com outras agências e uma série de parceiros para proteger as pessoas em risco.

Leia mais sobre o ACNUR, o meio ambiente e as mudanças climáticas (em inglês).

Como fugir das mudanças climáticas?

A crise climática está provocando deslocamentos e tornando a vida mais precária para aqueles que já foram deslocados. Pessoas refugiadas que fugiram da guerra, da violência e da perseguição estão agora enfrentando secas, inundações e temperaturas extremas. Mas eles estão liderando a resposta com ações climáticas criativas.

Como se proteger dos desastres naturais?

A crise climática afeta a todos nós. Mas não da mesma forma. Pessoas refugiadas, deslocadas e suas comunidades anfitriãs estão vivendo na linha de frente de um mundo em transformação. 60% das pessoas refugiadas e deslocadas por conflitos vêm ou estão vivendo nos países mais vulneráveis ao clima do mundo. Os menos responsáveis pelo aquecimento global estão sendo os mais atingidos.

O que você sabe sobre os efeitos das mudanças climáticas sobre as pessoas refugiadas e deslocadas?

Faça o nosso Quiz! 

Apresentamos oito jovens que estão agindo para ajudar suas comunidades a se adaptarem e se prepararem para as mudanças climáticas:

Mohammed Anower, 18 anos, é um refugiado Rohingya de Myanmar que vive no campo de refugiados de Kutupalong, em Bangladesh. Apesar de sua pouca idade, ele já é membro ativo do grupo ambiental de jovens em sua seção do campo há vários anos. Seu grupo se concentra na restauração de riachos e no plantio de árvores.

Ermano Prévoir é um agrônomo haitiano deslocado e ativista ambiental que vive em Belém, Brasil. Ele começou sua jornada como defensor do meio ambiente no Haiti, organizando eventos para aumentar a conscientização sobre a degradação ambiental e o desmatamento. Como estudante de doutorado em agronomia na Universidade Federal Rural da Amazônia, ele se concentra em técnicas agrícolas sustentáveis.

Najeeba Wazefadost é uma refugiada afegã que vive atualmente em Sydney, na Austrália. Ela é fundadora e CEO da APNOR, a Rede de Refugiados da Ásia-Pacífico. Sua organização tem dedicado cada vez mais esforços para enfrentar os desafios climáticos urgentes que afetam os refugiados na região.

Deline Ramiro Yihumutima, 24 anos, é uma refugiada de Ruanda que vive no campo de refugiados de Kakuma, no Quênia. Ela é uma defensora apaixonada da energia limpa e acessível e do uso da tecnologia digital para capacitar os refugiados. Ela trabalha para a Iniciativa de Solidariedade para Refugiados, uma organização liderada por refugiados que usa energia solar para alimentar um centro digital e educa crianças sobre como cuidar do meio ambiente e plantar árvores.

Barthelemy (Barth) Mwanza Ngane é um refugiado da República Democrática do Congo. Seu ativismo climático começou no campo de refugiados de Tonogara, no Zimbábue, mas recentemente ele se reassentou em Ohio, nos Estados Unidos. Ele é coordenador da Rede Global de Jovens Refugiados, que fornece financiamento inicial para organizações lideradas por jovens refugiados que desenvolveram iniciativas para responder às mudanças climáticas e a outros problemas que afetam suas comunidades.

Opira Bosco Okot é um refugiado do Sudão do Sul que usa sua paixão por filmar e falar em público para defender o clima e outras questões. Recentemente, ele concluiu um curso de economia na Ndeje University em Kampala, Uganda, e atualmente trabalha como estagiário na sede do ACNUR em Genebra.

Eman Al-Hamali é uma pessoa deslocada internamente que vive no distrito de Abs, na província de Hajjah, no noroeste do Iêmen. Ela lidera um grupo de 10 mulheres que administram uma usina de microrrede solar. Ela fornece energia econômica a 50 residências e foi a inspiração por trás de 12 outras usinas solares que beneficiam mais de 44.000 pessoas em quatro províncias afetadas por conflitos e mudanças climáticas.

Jeanne Muhimundu, 21 anos, é uma refugiada de Ruanda que vive no campo de refugiados de Tongogara, no Zimbábue. Como gerente assistente de projetos da Coalizão de Refugiados para Ação Climática, ela conduz sessões de conscientização sobre ações climáticas e ambientais com jovens refugiados no campo e realiza campanhas de plantio de árvores e limpeza.